Ler Resumo
Um estudo recente aponta que a terapia hormonal pode intensificar a perda de peso em mulheres pós-menopausa com sobrepeso/obesidade usando tirzepatida (Mounjaro). A combinação resultou em 35% mais perda de peso, sugerindo uma nova perspectiva para o tratamento da obesidade e seus riscos associados, como diabetes e hipertensão.
Este resumo foi útil?
👍
👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A transição para a menopausa pode trazer mudanças que vão além das ondas de calor e das alterações no humor e no sono. A redução dos níveis de estrogênio contribui para a perda de massa muscular e para a redistribuição da gordura corporal, que tende a se concentrar mais na região abdominal. Além do ganho de peso, esse cenário aumenta o risco de diabetes, hipertensão e colesterol alto.
Para lidar com essas mudanças potencialmente prejudiciais à saúde, uma das saídas dos médicos é, quando bem indicada, a reposição hormonal. E, agora, um estudo publicado na revista científica The Lancet Obstetrics, Gynaecology & Women’s Health levanta uma hipótese interessante: em mulheres após a menopausa com sobrepeso ou obesidade, a terapia hormonal pode estar associada a uma resposta mais expressiva à tirzepatida, comercializada no Brasil como Mounjaro.
A pesquisa foi liderada por especialistas da Clínica Mayo, nos Estados Unidos, com a participação de centros médicos em outras partes do mundo. Eles analisaram dados de 120 mulheres na pós-menopausa com sobrepeso ou obesidade tratadas com tirzepatida por pelo menos 12 meses. Entre elas, 40 faziam terapia hormonal sistêmica e 80 não utilizavam o tratamento. A idade média das participantes era de 56 anos.
Ao fim do acompanhamento, as mulheres que usavam terapia hormonal apresentaram uma redução média de 19,2% do peso corporal, ante 14% no grupo que recebeu apenas tirzepatida. Em termos relativos, a perda de peso foi cerca de 35% maior entre as participantes que combinavam os dois tratamentos.
A proporção de mulheres que eliminaram pelo menos 20%, 25% ou 30% do peso corporal também foi superior no grupo que fazia terapia hormonal. Além disso, ambos os grupos apresentaram melhora em indicadores em exames, como glicemia, pressão arterial e enzimas hepáticas.
Continua após a publicidade
Os autores consideram a possibilidade de que o estrogênio reposto influencie a resposta aos medicamentos da classe do GLP-1, favorecendo o controle do apetite e a composição corporal. Mas essa interação ainda carece de comprovação.
O que pode mudar na prática
O estudo é observacional e retrospectivo. Isso significa que ele identificou uma associação, mas não permite concluir que a terapia hormonal causou diretamente a perda de peso adicional. Outros fatores podem ter influenciado os resultados, incluindo hábitos de vida e maior acompanhamento médico.
A terapia hormonal também não deve ser prescrita com a finalidade isolada de emagrecer. Ela pode ser indicada para mulheres com sintomas do climatério após uma avaliação individualizada, considerando idade, tempo desde a menopausa, histórico clínico e riscos como trombose, acidente vascular cerebral e câncer de mama.
A pesquisa abre uma nova frente de investigação: tratamentos para obesidade podem funcionar de maneira diferente conforme a fase hormonal da mulher. Ensaios controlados, com maior número de participantes e maior diversidade étnica, serão necessários antes que essa possível combinação transforme a prática médica.
