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Estudo da Clínica Cleveland, apresentado na ASCO, indica que canetas para obesidade (agonistas de GLP-1) foram associadas a menor progressão e disseminação do câncer em pacientes já diagnosticados. Observou-se redução de metástase em tumores como pulmão e mama. O achado é relevante, mas ressalta que é uma associação, não causa-efeito.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Um estudo apresentado na ASCO, o encontro da Associação Americana de Oncologia Clínica, demonstrou que o uso de canetas para o tratamento da obesidade em pessoas com o diagnóstico de câncer esteve associado a uma menor progressão e disseminação da doença. O achado é um dos mais comentados do maior congresso de oncologia do planeta.
A pesquisa foi conduzida por um time da famosa Clínica Cleveland, nos Estados Unidos, e analisou mais de 12 mil pacientes com tumores relacionados à obesidade, incluindo câncer de mama, pulmão, colorretal, fígado, próstata, rim e pâncreas. Eles compararam a evolução de pacientes que utilizaram agonistas do receptor de GLP-1 (caso de Mounjaro e Wegovy) com a de pacientes que receberam comprimidos de outra classe para diabetes, os chamados inibidores da DPP-4.
Os resultados chamaram atenção. Entre os pacientes com câncer de pulmão, o uso de GLP-1 esteve associado a uma redução de aproximadamente 50% no risco de progressão para doença metastática – metástase é o fenômeno em que o câncer consegue se espalhar de seu lugar de origem. No câncer de mama, a redução observada foi de cerca de 43%. Nos tumores de fígado e colorretal, as reduções foram de aproximadamente 38% e 31%, respectivamente.
Antes que alguém conclua que as canetas emagrecedoras tratam câncer, é importante entender o que o estudo realmente mostrou. Os pacientes avaliados já tinham diagnóstico oncológico. O trabalho não investigou a prevenção do surgimento de tumores, mas sim a evolução da doença após o diagnóstico. Além disso, trata-se de uma análise observacional retrospectiva, capaz de demonstrar associação, mas não de provar uma relação de causa e efeito.
Mesmo assim, os dados despertaram enorme interesse porque se somam a um conjunto crescente de evidências que liga a obesidade ao câncer.
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O peso e o câncer
Hoje sabemos que o excesso de peso aumenta o risco de pelo menos 13 tipos de tumores. A obesidade favorece um estado de inflamação crônica, resistência à insulina e alterações hormonais que criam um ambiente biológico mais propício ao crescimento tumoral.
Não por acaso, especialistas vêm defendendo que o tratamento da obesidade deve ser encarado também como uma estratégia de prevenção a doenças graves, e não apenas como uma questão relacionada ao peso corporal.
No estudo recém-apresentado na ASCO, uma das hipóteses é que os benefícios observados sejam consequência indireta da perda de peso e da melhora metabólica promovidas pelos agonistas de GLP-1. Menos gordura corporal significa menos inflamação, menor picos de insulina no sangue e menor exposição a diversos fatores que podem estimular a progressão tumoral.
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Mas existe uma segunda hipótese que tem despertado ainda mais curiosidade. Análises complementares apresentadas pelos autores sugerem que alguns tumores podem expressar receptores de GLP-1 em suas células. Se isso for confirmado, esses medicamentos poderiam exercer efeitos biológicos diretos sobre determinados tipos de câncer, independentemente da perda de peso. Por enquanto, essa possibilidade permanece apenas como uma hipótese científica.
A história recente dos agonistas de GLP-1 tem sido marcada por sucessivas surpresas. Inicialmente desenvolvidos para o tratamento do diabetes tipo 2, esses medicamentos passaram a demonstrar benefícios expressivos no tratamento da obesidade. Em seguida, provaram ser capazes de reduzir problemas cardiovasculares, proteger os rins, melhorar a gordura no fígado…
Agora, os resultados apresentados na ASCO levantam uma nova e importante pergunta: será que essas medicações também podem ser aliadas contra o câncer? Ainda não temos essa resposta. Mas certamente vale ir atrás dela.
