Ler Resumo
A obesidade infantojuvenil é um problema global crescente, com o Brasil entre os países mais afetados. O cenário, impulsionado por ultraprocessados e sedentarismo, traz riscos sérios à saúde. As canetas emagrecedoras surgem como opção de tratamento para adolescentes, mas exigem acompanhamento multidisciplinar e cuidados para evitar efeitos adversos.
Este resumo foi útil?
👍
👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A obesidade entre crianças e adolescentes já se configura como um problema de saúde pública. A Comissão Lancet projeta que cerca de 464 milhões de jovens estarão acima do peso até 2030. O Atlas Mundial da Obesidade 2026, elaborado pela World Obesity Federation, chama atenção para o avanço do sobrepeso e da obesidade entre crianças e adolescentes em escala global.
No Brasil, a situação também é preocupante: cerca de 17 milhões de jovens entre 5 e 19 anos convivem com excesso de peso, colocando o país entre os dez com maior número de casos no mundo. E, entre as crianças em idade escolar, os números continuam crescendo: cerca de 6,6 milhões de crianças entre 5 e 9 anos vivem com excesso de peso, representando quase 40% da população infantil e adolescente em algumas faixas etárias.
Esses dados comprovam que esse cenário surge, principalmente, devido ao alto consumo de alimentos ultraprocessados e ao sedentarismo. A questão é que, se não for tratada de forma adequada, a obesidade tende a persistir na vida adulta e pode desencadear complicações como diabetes tipo 2, hipertensão, alterações no colesterol, síndrome metabólica e até aumentar o risco de alguns tipos de câncer.
Recentemente, as canetas emagrecedoras surgiram como uma inovação relevante no tratamento da obesidade. E a Anvisa autorizou o uso entre adolescentes, oferecendo uma alternativa que contribui para o controle do peso e representa um avanço importante na busca por soluções eficazes durante essa fase da vida.
As diretrizes atuais permitem a prescrição de medicamentos injetáveis conhecidos como canetas emagrecedoras, que sejam compostas por semaglutida e liraglutida, para adolescentes a partir dos 12 anos, desde que apresentem IMC igual ou superior a 30 kg/m², com peso mínimo de 60 kg, que não tenham obtido controle de peso apenas com dieta e atividade física e estejam em acompanhamento médico contínuo.
Continua após a publicidade
É imprescindível que esse tratamento seja conduzido por uma equipe multidisciplinar, envolvendo endocrinologista, nutricionista, psicólogo e educador físico.
No entanto, é fundamental destacar que tais medicamentos não devem ser utilizados sem supervisão, pois os efeitos adversos podem ser significativos. Entre os riscos estão náuseas, vômitos, desidratação, perda de massa muscular, deficiências nutricionais e até impactos no crescimento e na saúde mental. Por isso, o paciente deve ser avaliado de forma integral, com monitoramento da função tireoidiana, dos níveis de cortisol e do perfil glicêmico, já que a obesidade é um importante fator de risco para o diabetes.
A obesidade na infância e adolescência é uma condição complexa, que envolve não apenas aspectos metabólicos, mas também repercussões emocionais e sociais. Assim, o uso das canetas emagrecedoras em crianças não deve ser visto como solução isolada, mas como parte de um cuidado integral e humanizado por meio de uma equipe multidisciplinar, que inclua avaliação clínica detalhada, monitoramento de parâmetros como glicemia, função tireoidiana e perfil nutricional, além de suporte psicológico e orientação alimentar.
Continua após a publicidade
O envolvimento da família na construção de hábitos saudáveis, na promoção de uma alimentação equilibrada e na valorização da criança para além da aparência física é fundamental para reduzir o estigma e fortalecer a saúde mental, já que o excesso de peso pode trazer sérios impactos psicológicos, como baixa autoestima, ansiedade e depressão.
Mais do que acompanhar o tratamento, os familiares devem ser agentes ativos de acolhimento e incentivo, garantindo que o tratamento seja seguro, responsável e voltado para o bem-estar integral da criança e ou do adolescente.
* Matheus Aves Alvares é coordenador de Endocrinologia Pediátrica do Hospital Infantil Sabará, em São Paulo
