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Pesquisa do British Medical Journal sugere que medicamentos análogos de GLP-1, como Ozempic e Wegovy, podem reduzir a necessidade de cirurgias de prótese de joelho em pacientes com osteoartrite. O estudo indica que o efeito vai além do emagrecimento, com potenciais ações anti-inflamatórias e protetoras da cartilagem.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Medicamentos que ficaram conhecidos por ajudar no controle do diabetes e na perda de peso podem ter uma utilidade adicional: reduzir a probabilidade de ter de passar por uma cirurgia para instalar uma prótese no joelho. É o que indica uma pesquisa publicada em um dos periódicos médicos do grupo British Medical Journal.
A análise examinou a relação entre o uso das canetas de aplicação semanal e a realização de procedimentos de artroplastia total para substituir o joelho entre pessoas com osteoartrite.
A osteoartrite, também conhecida como artrose, é marcada pelo desgaste progressivo das articulações. Quando atinge os joelhos, pode provocar dor, rigidez e limitações para atividades simples, como caminhar ou subir escadas.
A obesidade é um dos fatores que favorecem o problema: além de aumentar a carga mecânica sobre as articulações, está relacionada a alterações metabólicas e inflamatórias que tendem a agravar o quadro nas juntas.
O trabalho, conduzido pela Escola de Medicina da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, avaliou dados de 6,8 milhões de adultos diagnosticados com osteoartrite de joelho entre 2010 e 2024.
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Dentro dessa população, os especialistas separaram e analisaram pacientes que tomaram medicamentos análogos de GLP-1 (a classe das canetas), como semaglutida (Ozempic e Wegovy) e tirzepatida (Mounjaro), e também aqueles que foram submetidos à cirurgia no joelho.
Ao todo, mais de 40 000 pessoas haviam utilizado canetas por pelo menos um ano e pouco mais de 30 000 por três anos. A necessidade de cirurgia foi verificada em diferentes momentos: um, três, cinco e oito anos depois do diagnóstico de osteoartrite.
Efeito no peso… e no joelho
Os pacientes tratados com os medicamentos para obesidade tiveram de realizar menos cirurgias de substituição do joelho nos períodos analisados. Um ano de tratamento com qualquer remédio da classe foi associado a uma redução absoluta de aproximadamente 1,4 ponto percentual no risco acumulado de passar por uma artroplastia após três anos. Na avaliação feita oito anos depois, a diferença chegou perto de 3 pontos percentuais.
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Os resultados mais expressivos apareceram entre os pacientes que receberam semaglutida ou tirzepatida durante três anos. Nesse grupo, o risco acumulado de passar por cirurgia após oito anos foi quase 5 pontos percentuais menor do que entre pessoas semelhantes que não utilizaram esses medicamentos. Segundo os autores, uma redução absoluta de 1,44% poderia representar aproximadamente 14.400 cirurgias a menos por ano nos Estados Unidos.
Mas o que justifica essas repercussões? A explicação mais imediata é que emagrecer alivia a sobrecarga exercida sobre os joelhos. Mas essa pode não ser a única peça do enredo.
Evidências anteriores levantam a hipótese de que os análogos de GLP-1 também tenham efeitos anti-inflamatórios, analgésicos e potencialmente protetores da cartilagem. Isso poderia ajudar a retardar a progressão da osteoartrite.
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É cedo, porém, para concluir que esses medicamentos evitam cirurgias e próteses. O estudo analisou registros médicos e identificou associações, não uma relação comprovada de causa e efeito. Além disso, fatores como prática de atividade física, fragilidade, capacidade funcional e gravidade da osteoartrite não puderam ser totalmente controlados.
Os resultados, no entanto, reforçam uma linha de pesquisa promissora: a saúde metabólica pode ter um papel mais relevante do que se supunha na preservação das articulações.
