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    Home»Últimas»“Morte poderia ser evitada”, diz médico. Por que insistem em fenol e PMMA?
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    “Morte poderia ser evitada”, diz médico. Por que insistem em fenol e PMMA?

    meioesaudeBy meioesaude5 de Julho, 2024Sem comentários4 Mins Read
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    Em menos de 30 dias, duas pessoas morreram após a realização de procedimentos estéticos: o empresário Henrique Silva Chagas, de 27 anos, que faleceu em 3 de junho após ser submetido a um peeling de fenol no rosto, em São Paulo, administrado pela influencer Natalia Becker; e nesta terça-feira 2, a influenciadora digital Aline Maria Ferreira, de 33 anos, que morreu dez dias depois de uma aplicação de PMMA (polimetilmetacrilato) para aumentar os glúteos, no Distrito Federal.

    Fatos que preocupam a comunidade médica já que, não raro, as pessoas procuram e aceitam realizar procedimentos invasivos com indivíduos não qualificados, além de cair em falsas promessas de resultados a preços baixos – Aline, por exemplo, pagou R$ 3 mil pela intervenção aplicada por Grazielly da Silva Barbosa, falsa biomédica (se apresentava como tal, mas não tinha formação na área), que foi presa pela Polícia Civil de Goiás, nesta quarta-feira 3, por meio da Delegacia de Repressão a Crimes Contra o Consumidor (Decon) de Goiás.

    “É muito tentador fazer um procedimento simples, rápido e fácil, que acaba tendo um baixo custo, que modela o glúteo, por exemplo, sem cirurgia e sem sofrimento. Mas a grande questão do PMMA é que é um plástico, que não é absorvido pelo corpo e se infiltra e se distribui nos tecidos podendo levar a uma inflamação crônica”, diz o cirurgião plástico Matheus Manica, membro titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica. “No caso dos glúteos, pode se espalhar pelas pernas e pés, atrapalhando a circulação, causando inchaços crônicos ou linfedema e insuficiência venosa. A longo prazo, o PMMA em grandes quantidades pode ainda sobrecarregar os rins”, completa.

    Alerta para preenchedores permanentes

    Em nota, a Sociedade Brasileira de Dermatologia (SBD) alertou que o PMMA não é recomendado para fins estéticos por se tratar de um plástico líquido que não é absorvido e pode provocar complicações graves como necroses, cegueiras, embolias e processos inflamatórios, com formação de coágulos que podem interromper o fluxo sanguíneo e causar problemas como o AVC, além da possibilidade de causar uma infecção generalizada, como foi o caso de Aline, que entrou em coma e sofreu duas paradas cardíacas – a primeira na sexta-feira, 28 e a segunda, no domingo, 30 – até ser declarada morta na noite de terça-feira, 2.

    “O PMMA é um preenchedor permanente, só que o nosso corpo muda. Imagine esse produto injetado em determinada região. Após 20 anos, o corpo vai ser diferente, mas aquele produto permanece ali da mesma maneira. Costumo dizer: “preenchedores permanentes são problemas permanentes”, explica Manica.

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    Morte poderia ser evitada

    A Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) também não recomenda o uso do PMMA e a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) não autoriza o uso da substância para preenchimento subcutâneo, já que é uma considerada de máximo risco. Pela agência reguladora, o PMMA só pode ser utilizado em duas circunstâncias: para correção de lipodistrofias (alteração que leva à concentração de gordura em algumas partes do corpo) provocada pelo uso de antirretrovirais em pacientes com AIDS (síndrome da imunodeficiência adquirida) e para correção de deformidades corporais causadas por doenças graves, como a poliomielite.

    “Então, isso que aconteceu recentemente com essa moça é mais uma tragédia que poderia ter sido evitada com análise melhor dos riscos, utilizando produtos melhores. Às vezes, utilizar a própria gordura, que é uma alternativa muito mais segura e, obviamente, exige uma cirurgia, mas é uma alternativa que usa o próprio tecido da pessoa ou mesmo ácido hialurônico que existe uma questão de custo e muita quantidade de material. É um material caro, mas é infinitamente mais seguro que o PMMA”, acrescenta o médico.

    Parecer técnico e proibição

    De acordo com a SBD, após a morte da influencer, será feito um parecer técnico conjunto com a Sociedade Brasileira de Cirurgia Plástica (SBCP) para ser apresentado ao Conselho Federal de Medicina, no intuito de definir os rumos desses procedimentos estéticos e aumentar a segurança dos pacientes.

    No caso do peeling de fenol, foi proibido pela Anvisa no último dia 25, após a morte de Henrique Chagas. A agência reguladora emitiu uma resolução proibindo completamente a manipulação, propaganda, importação, fabricação e uso de produtos à base de fenol em procedimentos de saúde e estética. “A determinação ficará vigente enquanto são conduzidas as investigações sobre os potenciais danos associados ao uso desta substância química, que vem sendo utilizada em diversos procedimentos invasivos”, informou a Anvisa.



    FONTE: Meio e Saúde

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    meioesaude
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