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    Home»Últimas»Medicamento brasileiro renova esperança de devolver movimentos em lesões na medula espinhal
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    Medicamento brasileiro renova esperança de devolver movimentos em lesões na medula espinhal

    meioesaudeBy meioesaude16 de Janeiro, 2026Sem comentários5 Mins Read
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    Ler Resumo

    Uma descoberta brasileira promissora para paraplegia/tetraplegia. Pesquisadores da UFRJ e laboratório Cristália criam a polilaminina, um fármaco derivado da placenta com resultados animadores. Pacientes com lesão medular recuperaram movimentos, com destaque para o caso de Bruno Freitas. A ciência segue com cautela, mas a esperança se acende.

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    Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

    A ciência tem histórias que parecem improváveis demais para soarem verossímeis e tão complexas que por vezes são celebradas como milagre. No Brasil, uma descoberta ganhou relevo no ano passado e vem conquistando novos capítulos em 2026. A aventura começa em um lugar pouco esperado: a placenta. É nesse órgão temporário que acompanha a gravidez — e essencial para o desenvolvimento da vida — que pesquisadores da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) encontraram uma pista inesperada para um desafio antigo: recuperar movimentos de indivíduos que se tornaram paraplégicos ou tetraplégicos após lesão na medula espinhal. A chama da esperança se acendeu com a descoberta de uma molécula chamada laminina. É a partir dela que surgiu um remédio experimental que poderá revolucionar o tratamento das lesões de medula espinhal. Até hoje, a maioria das experiências globais trabalha com terapias de células-tronco, um método caro e que, na maioria das vezes, não tem bons resultados. O feito brasileiro dá outro passo e vem sendo acompanhado com interesse pela comunidade científica internacional.


    REGENERAÇÃO - Da placenta ao paciente: Anvisa acaba de autorizar estudos clínicos (Halfpoint Images/Noctiluxx/Getty Images)

    Para transformar a ideia em realidade, a UFRJ se uniu ao laboratório nacional Cristália para desenvolver o medicamento, que foi batizado de polilaminina. Desde 2018, ele vem sendo testado em seis pacientes com lesões medulares nível A, quando há perda total da função motora. Cinco evoluíram para o nível C, com recuperação parcial de força e mobilidade. Mas um caso se tornou emblemático: o do bancário Bruno Freitas, que tinha 23 anos quando sofreu um acidente de trânsito, fraturou a coluna e ficou tetraplégico. Braços e pernas voltaram a responder gradualmente ao longo de um ano, após receber o fármaco nas primeiras 24 horas após o trauma. “No primeiro mês, eu consegui mexer o dedão do pé. Na hora, aquilo não parecia grande coisa, mas depois foi escalonando”, disse Freitas a VEJA. A reabilitação seguiu ao longo dos anos, e hoje ele caminha normalmente e movimenta os braços sem limitações.

    A responsável pela linha de pesquisa promissora, a bióloga Tatiana Coelho de Sampaio, se debruça sobre a laminina há 25 anos. Não por estratégia, mas por curiosidade científica. “É uma molécula com funções primitivas, presente até em esponjas marinhas”, afirma. Sampaio descobriu, assim, que a substância se organiza como uma espécie de teia tridimensional pegajosa e é essencial para a sobrevivência das células e a migração de neurônios. Mas o que mais despertou a atenção da cientista foi sua capacidade de regeneração: “Com ela, conseguimos efeito duplo: proteger os neurônios que estão ali e estimular o surgimento de novas unidades”.


    VOLUNTÁRIO - O bancário Bruno Freitas: reabilitação surpreendente (//Arquivo pessoal)

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    Modificada em laboratório, a partícula virou um medicamento que agora precisa seguir todo o rito de estudos clínicos, mesmo tendo demonstrado resultados animadores nos testes iniciais. A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) autorizou o início da nova jornada para determinar segurança, eficácia, dosagem e efeitos colaterais. Mas, na imprensa e nas redes sociais, a terapia já fez barulho. Ainda assim, é preciso conter o frisson. “A história da medicina está cheia de tratamentos que pareciam promissores e frustraram expectativas quando passaram pelo crivo dos testes. Sem isso, ninguém realmente sabe dizer se algo funciona ou não”, diz Carlos Orsi, diretor do Instituto Questão de Ciência (IQC), que milita por práticas e políticas baseadas em pesquisas.

    É esse caminho que a polilaminina terá de encarar para demonstrar a que vem, num processo que está longe de ser simples e rápido. Na primeira fase de estudo, recém-aprovada, a molécula terá de responder à pergunta se é segura ou não. Vencendo essa etapa, poderá provar quão eficaz é e em que condições, assim como será possível determinar reações adversas. Um dos pontos de atenção é que, por ora, só se sabe da ação positiva do fármaco caso seja aplicado numa janela de 72 horas após a lesão — e, quanto mais rápido o uso, mais promissores parecem ser os resultados. Mesmo assim, a Justiça já vem sendo acionada com pedidos de acesso à droga experimental. Em dezembro de 2025, por ordem dos tribunais, o administrador Diogo Brollo, de 35 anos, recebeu uma dose. Duas semanas depois, relatou ter voltado a sentir estímulos nas pernas, movimentar o pé e contrair coxa e esfíncter. Até agora, ao menos dez decisões judiciais determinaram que o Cristália, o grupo da UFRJ e o poder público viabilizassem o uso do medicamento em pacientes. Em um misto de cautela e esperança, a história da polilaminina ainda está sendo escrita. Entre relatos que impressionam e dados que ainda faltam, ela lembra que, na ciência, a expectativa não dispensa método — e que nem toda boa história está pronta para virar tratamento. Pelo menos, não por enquanto.

    Publicado em VEJA de 16 de janeiro de 2026, edição nº 2978



    FONTE: Meio e Saúde

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    meioesaude
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