Hoje não vamos falar de livros, fábulas ou filmes, mas de história. Vivemos um momento conturbado mundialmente e vamos entrar na narrativa de como diferenças sociais podem afetar a mesma guerra, nesse caso da obesidade. Nessa terrível página da nossa história, um poderoso, rico e bem equipado exército enfrenta um povo pobre, desprovido de recursos e equipamentos e assim mesmo perde a guerra, mas não antes de ceifar mais de 1 milhão de vidas, na maioria inocentes e civis. Já do lado poderoso, pouco mais de 50 mil.
Na batalha da obesidade estão todos na mesma trincheira, mas assim como na guerra do Vietnã, os equipamentos para o combate e os recursos são completamente diferentes. O exército pouco abastecido, por mais que tente avançar em perder peso e conquistar saúde, enfrenta enormes problemas de logística.
Na questão alimentar, não há verbas para a compra de alimentos saudáveis e balanceados para a dieta, obrigando o pessoal do rancho a adquirir biscoitos, alimentos ultraprocessados, refrigerantes e doces, por serem mais baratos e menos perecíveis. As instruções dadas pelos oficiais de saúde são entendidas, mas nunca colocadas em prática, pois eles têm fome, mas não têm acesso ao bom alimento.
As armas, da mesma maneira, são obsoletas quando comparada às do exército com mais recursos. De um lado, medicações básicas, de difícil acesso e de impacto menor na perda de peso. Do outro, armas modernas, precisas e poderosas para atingir as metas desejadas, como as canetas antiobesidade, mais conhecidas como canetas “emagrecedoras”.
Os soldados que vivem com obesidade mórbida, que já não conseguem acompanhar o exército, também enfrentarão lutas diferentes. Os que tem pouco orçamento, dificilmente conseguirão ser operados. Diferente do outro batalhão que facilmente será atendido e operado em um hospital de campanha.
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Assim como em qualquer guerra, as políticas públicas e as decisões governamentais podem levar um país à vitória ou à derrota. No caso da nossa guerra contra a obesidade, diferente da do Vietnã, o exército poderoso está conseguindo avançar bem e ganhar territórios. Já os nossos obesos vietcongues padecem de recursos e seguem presos nas florestas das comunidades sem nenhuma esperança na vitória.
Como aconteceu há 60 anos em um longínquo e pequeno país da Ásia, os números de vidas que se perdem anualmente nessa silenciosa e escondida batalha da obesidade parecem proporcionais às perdidas na guerra do Vietnã: de um lado morrem milhões, de outro milhares, mas ambos lutam contra o mesmo inimigo.
