Na semana do Ano Novo, eu estava fazendo algo absolutamente banal: arrumando a mala.
Comecei como quase todo mundo começa. Coloquei roupas, sapatos, livros, itens “úteis”, coisas que talvez fossem precisar. A mala foi ficando cheia. Apertada. Difícil de fechar.
Então veio o problema.
Havia uma única coisa grande que eu realmente precisava levar, um presente para a minha sogra, e ela simplesmente não cabia.
Não havia truque. Não havia milagre. Não havia jeito de empurrar.
A única solução foi desmontar tudo. Tirar peça por peça. E começar de novo.
Foi ali, no chão do quarto, cercada por roupas espalhadas, que pensei em Stephen Covey, e na metáfora clássica do pote.
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Se você coloca primeiro a areia, depois a água, depois as pedrinhas, as pedras grandes não entram. Mas, se você começa pelas pedras grandes, todo o resto se organiza ao redor.
A mala da vida funciona exatamente do mesmo jeito
No começo do ano, todo mundo fala sobre metas. Mais produtividade. Mais resultados. Mais conquistas.
Mas quase ninguém faz a pergunta certa: o que precisa entrar primeiro na “mala” da sua vida?
Do ponto de vista psicológico, viver bem não é fazer mais. É escolher melhor.
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E escolher melhor exige algo que o cérebro humano tende a evitar: pausar.
Pausar para refletir. Pausar para olhar para dentro. Pausar para decidir, conscientemente, o que merece espaço.
A ciência é clara: quando não escolhemos com base em valores, escolhemos por urgência.
E urgência não é critério de vida, é critério de sobrevivência.
Valores funcionam como organizadores psicológicos. Eles reduzem o ruído mental, aumentam a clareza e ajudam o cérebro a tomar decisões mais coerentes ao longo do tempo.
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Não eliminam o estresse, mas diminuem o conflito interno que alimenta ansiedade, frustração e tristeza.
E aqui está o ponto que muita gente ignora: valores mudam conforme a fase da vida.
O que fez sentido aos 30 pode não fazer aos 45. O que era prioridade antes pode não ser agora.
Por isso, a pergunta não é: “Quem eu acho que eu deveria ser?”
Mas sim: “Quem eu estou me tornando, e o que essa versão precisa para viver com ousadia?”
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Antes de pensar em metas para este ano, proponho algo mais fundamental.
Escolha três ou quatro “pedras grandes”. Não dez. Não vinte. Somente três ou quatro.
Pergunte-se:
· O que eu mais valorizo nesta fase da minha vida?
· O que, se estiver presente, fará com que o resto se ajuste?
· Que tipo de vida eu quero estar construindo quando olhar para trás?
Depois disso, coloque essas escolhas na sua agenda.
Arrumar a mala do ano não é sobre fazer tudo caber. É sobre aceitar que nem tudo entra. Afinal, cada “sim” é, inevitavelmente, um “não” para outra coisa.
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E, neste ano, eu desejo que seus valores entrem na sua mala primeiro. Caso contrário, você corre o risco de ter que desmontar tudo no meio do caminho — como eu fiz com a mala. Só que, na vida, isso costuma ser bem mais difícil do que numa viagem.
Que em 2026 você coloque primeiro o que realmente importa. O resto, se for essencial, encontra seu lugar.
Se este texto te fez parar por um instante, refletir ou repensar o que você está colocando na “mala” da sua vida, eu vou adorar continuar essa conversa com você.
Me escreva no Instagram e me conte: o que precisa entrar primeiro no seu ano, e o que talvez esteja ocupando espaço demais.
Feliz Ano Novo! Nos vemos na próxima semana!
