Ler Resumo
Um novo estudo alemão revela que mais de 1 em cada 10 casos de câncer está ligado ao excesso de gordura corporal, um índice superior às estimativas anteriores. A pesquisa aprofundou a análise, usando indicadores mais precisos além do IMC, e observou maior impacto em jovens adultos e mulheres. O trabalho reforça a urgência em combater a obesidade.
Este resumo foi útil?
👍
👎
Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
A obesidade é um fator de risco conhecido para o aparecimento de diferentes tipos de câncer, como tumores de mama, colorretal, útero, pâncreas e fígado. Até o momento, estimava-se que o impacto do peso elevado para o surgimento da doença era de até 8%, mas um novo estudo alemão mostrou que o número é maior: segundo a pesquisa recém-divulgada, mais de um em cada dez casos de câncer está associado ao excesso de gordura corporal.
Análises anteriores indicavam uma relação entre 2% e 8% entre as duas doenças, no entanto, esse índice era considerado subestimado por pesquisadores. Então, um grupo do Centro Alemão de Pesquisa do Câncer (DKFZ, na sigla em alemão) fez uma análise aprofundada nos arquivos de 458.543 pessoas de ambos os sexos do UK Biobank, banco de dados genéticos do Reino Unido, e descobriu que o peso elevado pode estar ligado a 11,5% dos tumores. O acompanhamento durou cerca de 12 anos, período no qual mais de 50 mil novos casos de câncer foram registrados.
A pesquisa conseguiu encontrar um percentual mais alto da ação da obesidade no câncer por ter avançado na forma de avaliação dos dados, incluindo indicadores mais atualizados para análise do excesso de peso e seus efeitos para a saúde.
Um exemplo disso é que eles não se detiveram apenas no índice de massa corporal, o famoso IMC. Como o cálculo que considera peso e altura não contempla a diferença entre massa muscular e gordura, ele acaba sendo limitado.
Continua após a publicidade
Assim, verificaram a circunferência abdominal e a relação entre cintura e quadril, indicadores que apontam a presença de gordura em excesso de forma mais precisa.
Outro fator de confusão é a perda de peso causada pela doença antes mesmo do diagnóstico. Considerando que o emagrecimento de alguns pacientes com câncer poderia interferir nos resultados, os pesquisadores retiraram informações dos primeiros anos após a entrada de dados no banco.
Continua após a publicidade
“Levando em consideração todas as melhorias metodológicas nas análises, a proporção estimada de casos de câncer causados pelo excesso de peso aumentou de cerca de 5,5% para até 11,5%. Isso significa que mais de um em cada dez casos de câncer pode estar relacionado ao excesso de gordura corporal”, diz comunicado do DKFZ.
Pacientes mais impactados
O estudo traz ainda um caminho para entender o aumento dos casos de câncer em adultos jovens – pesquisas recentes mostraram que, em 30 anos, houve um crescimento de 79% nos episódios em pessoas com menos de 50 anos –.
Os achados, publicados no periódico Cancer Communications, sugerem que a proporção de tumores relacionados com a obesidade foi maior entre adultos com menos de 60 anos. As mulheres também são mais vulneráveis.
Continua após a publicidade
Nesse cenário, as medidas para reduzir a obesidade, como alimentação equilibrada, prática de atividades físicas, sono adequado e adesão ao tratamento medicamentoso, caso das canetas antiobesidade à base de semaglutida e tirzepatida, devem ser adotadas.
“Como a prevalência da obesidade continua a aumentar na maioria dos países e a população está envelhecendo ao mesmo tempo, o número de casos de câncer causados pela obesidade provavelmente continuará a aumentar significativamente no futuro.”, afirmou, em comunicado, Hermann Brenner, epidemiologista e um dos autores do estudo.
