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A Anvisa aprovou o Kyinsu, uma inovação mundial para diabetes tipo 2: a primeira caneta semanal que combina insulina basal e semaglutida. Esta nova abordagem visa superar o medo da insulina, oferecendo melhor controle glicêmico, perda de peso e redução de hipoglicemia, simplificando o tratamento e melhorando a adesão. Um avanço significativo.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Em pleno século XXI, muitos pacientes com diabetes ainda se assustam quando se fala a palavra “insulina”. Ela vem acompanhada de dois fantasmas conhecidos: o ganho de peso e a hipoglicemia, aquela queda brusca do açúcar no sangue que pode surgir no trabalho, no trânsito, no meio da noite. Não por acaso, cerca de metade das pessoas que precisariam começar a insulina adia essa decisão por mais de dois anos, e esse atraso cobra seu preço em complicações.
Nesta segunda-feira, 28 de setembro, o Diário Oficial da União trouxe uma novidade que mira exatamente esse impasse: a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) aprovou o Kyinsu, da Novo Nordisk, a primeira combinação do mundo que reúne, numa única aplicação semanal, uma insulina basal e a semaglutida.
O Kyinsu une dois velhos conhecidos. De um lado, a insulina icodeca, a primeira insulina semanal do mundo, aprovada no Brasil em março de 2025 com o nome Awiqli (e que estará nas farmácias em breve em 2027).
Ela se liga a uma proteína do sangue e é liberada aos poucos, como um reservatório que goteja hormônio ao longo de sete dias, inclusive durante o sono e entre as refeições. Do outro, a semaglutida, princípio ativo de Ozempic e Wegovy, que imita o GLP-1, hormônio intestinal que estimula a insulina do próprio corpo quando a glicose sobe, freia a fome e ajuda no controle do peso.
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A lógica é complementar: a icodeca cuida do açúcar de fundo; a semaglutida atua nos picos depois das refeições e reduz a necessidade de insulina. A indicação aprovada é para adultos com diabetes tipo 2 que não estão bem controlados com insulina basal ou com remédios da família do GLP-1, sempre associada a dieta, atividade física e antidiabéticos orais. A dose máxima é de 350 unidades de insulina e 1 miligrama de semaglutida por semana.
O que os estudos mostraram
A pergunta mais óbvia é também a mais importante: juntar a semaglutida à insulina semanal faz diferença real, ou é só conveniência? Quem respondeu foi o estudo COMBINE 1, publicado em 2025 na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology.
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Nele, 1.291 adultos com diabetes tipo 2 que já usavam insulina basal diária foram divididos em dois grupos e acompanhados por um ano: metade recebeu o Kyinsu; a outra metade, a icodeca sozinha. Ambos com uma aplicação por semana, o que isola com clareza o efeito do acréscimo da semaglutida.
O resultado foi nítido. A hemoglobina glicada, exame que reflete a média do açúcar no sangue nos últimos meses, caiu 1,55 ponto percentual com a combinação, contra 0,89 com a insulina isolada. No peso, os caminhos se separaram: quem usou o Kyinsu perdeu 3,7 quilos; quem ficou só com a insulina ganhou 1,9, uma diferença de quase 6 quilos. E as hipoglicemias relevantes ou graves, que já eram pouco frequentes, caíram de 0,63 para 0,14 episódio por paciente ao ano. Em termos relativos, uma redução de cerca de 78%; em termos absolutos, algo como um episódio a menos a cada dois anos por pessoa.
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Já o estudo COMBINE 3, publicado na revista The Lancet Diabetes & Endocrinology, testou justamente os pacientes mais trabalhosos: aqueles em esquema de uma picada de insulina lenta associada a cerca de 3 picadas de insulina rápida ao dia. Ao trocar tudo isso por uma aplicação semanal, eles mantiveram o mesmo controle do açúcar: a hemoglobina glicada, que reflete a média dos últimos meses, caiu 1,47 ponto percentual, contra 1,40 no esquema tradicional.
O ganho veio no resto. Os usuários do Kyinsu perderam, em média, 3,6Kg; o grupo da insulina convencional ganhou 3,2Kg. Usaram 58% menos insulina no total. E as hipoglicemias relevantes ou graves caíram de 2,18 para 0,26 episódio porpaciente ao ano: cerca de dois episódios a menos por pessoa, uma redução de 88%. Na conta anual, até 1.460 picadas podem virar 52.
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Os efeitos colaterais mais comuns são náuseas, diarreia e outros incômodos gastrointestinais, típicos da semaglutida. A hipoglicemia diminui, mas não desaparece. E, como a dose é fixa e combinada, ajustar a insulina significa mexer também na semaglutida, o que exige acompanhamento médico próximo, sobretudo no começo.
Vale destacar que esse medicamento não é indicado para diabetes tipo 1.
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E o custo?
O Brasil tem 16,6 milhões de adultos com diabetes, sexto maior contingente do planeta, segundo a Federação Internacional de Diabetes. Ainda não há preço, que será definido pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED), nem data de chegada às farmácias ou previsão de oferta pelo Sistema Único de Saúde (SUS). É desse capítulo que dependerá o alcance real da novidade.
O Kyinsu não é cura nem atalho. É uma resposta engenhosa a um problema antigo: o cansaço de tratar uma doença crônica todos os dias. Em diabetes, a melhor terapia costuma ser aquela que o paciente consegue manter. Transformar a insulina de algo que se teme em algo que se aceita talvez seja o avanço mais importante.
