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    Por que algumas pessoas podem ter mais de um transtorno mental? Genética ajuda a explicar

    meioesaudeBy meioesaude14 de Janeiro, 2026Sem comentários5 Mins Read
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    Ler Resumo

    Um estudo inédito na *Nature* com mais de 1 milhão de DNAs revela que transtornos mentais, como depressão, ansiedade e esquizofrenia, compartilham grande parte de sua base genética. A pesquisa desafia fronteiras diagnósticas, agrupando condições em 5 categorias e identificando uma vulnerabilidade comum, o p-factor.

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    Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

    Depressão, ansiedade, transtorno bipolar, esquizofrenia… No papel, cada um desses transtornos mentais tem nome, critérios e um lugar bem definido nos manuais médicos. Na vida real, porém, a saúde mental raramente cabe em “caixinhas” tão organizadas. Muitas pessoas recebem mais de um diagnóstico ao longo da vida, e não é raro que os sintomas se misturem.

    Um estudo publicado na revista Nature, uma das mais prestigiadas quando se trata de divulgação científica, ajuda a entender por que isso acontece. Ao analisar o DNA de mais de 1 milhão de pessoas, pesquisadores do Psychiatric Genomics Consortium – grupo formado por mais de 1700 cientistas e que se dedica a desvendar o papel da genética nos transtornos psiquiátricos – descobriram que os principais transtornos psiquiátricos compartilham grande parte da sua base genética. Em vez de condições totalmente separadas, muitas delas parecem fazer parte de um mesmo grande quebra-cabeça.

    Os próprios autores deixam claro, logo no início do artigo, o ponto de partida da investigação. “Os transtornos psiquiátricos apresentam altos níveis de comorbidade e sobreposição genética, o que desafia as fronteiras diagnósticas atuais”, escrevem.

    Resultados

    Para chegar aos resultados, o estudo analisou pessoas que conviviam com mais de um tipo de condição de saúde mental. No total, foram analisados 14 transtornos diferentes, entre eles depressão, ansiedade, esquizofrenia, transtorno bipolar, autismo, TDAH, transtorno obsessivo-compulsivo (TOC), anorexia e dependência de substâncias como álcool, nicotina e opioides.

    Ao observar as características genéticas desses indivíduos, os pesquisadores perceberam que muitos transtornos “andam juntos” do ponto de vista genético. Eles identificaram 101 regiões do genoma associadas a mais de um transtorno ao mesmo tempo. Em outras palavras, são trechos do DNA que aparecem repetidamente ligados a diferentes formas de transtorno.

    Um dos exemplos está no cromossomo 11, que surgiu associado a oito transtornos diferentes. Essas regiões, segundo os autores, encontram genes envolvidos em funções amplas do cérebro, como a comunicação entre neurônios e a formação das conexões que permitem o funcionamento das redes neurais. Não são genes ligados a um sintoma específico, mas a processos básicos do cérebro.

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    A partir desses padrões, foi possível agrupar os transtornos em cinco grandes conjuntos genéticos:

    Transtornos marcados por comportamentos repetitivos e compulsivos, como anorexia e TOC
    Esquizofrenia e transtorno bipolar, que se mostraram geneticamente muito próximos
    Condições ligadas ao desenvolvimento do cérebro, como autismo e TDAH
    Transtornos associados a sofrimento emocional, como depressão, ansiedade e estresse pós-traumático
    Transtornos relacionados ao uso de substâncias, como álcool, cigarro e outras drogas

    Ou seja: dentro de cada um desses grupos, os transtornos compartilham muitos dos mesmos genes, ligados a funções parecidas do cérebro. No caso da esquizofrenia e do transtorno bipolar, por exemplo, o estudo sugere que grande parte do risco genético é a mesma, o que ajuda a explicar por que alguns sintomas podem se sobrepor.

    As diferenças, de acordo com os autores, apareceram em genes mais específicos, associados à intensidade dos sintomas, à idade em que eles surgem ou à forma como o cérebro responde ao estresse.

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    Vulnerabilidade

    Além desses cinco grupos, os cientistas identificaram uma espécie de vulnerabilidade à saúde mental, presente em todos os transtornos analisados. No estudo, ela é chamada de p-factor.

    Esse fator está associado a características como maior sensibilidade ao estresse, tendência à angústia emocional, solidão e maior risco de pensamentos autolesivos ou tentativas de suicídio.

    Isso sugere que que algumas pessoas já nascem com uma predisposição genética mais ampla para sofrer psicologicamente e, ao longo da vida, essa vulnerabilidade pode se manifestar de formas diferentes, dependendo das experiências, do ambiente e do contexto de vida.

    Genes que moldam o terreno

    Ao investigar quando esses genes entram em ação, os pesquisadores perceberam que muitos deles se ativam ainda durante o desenvolvimento do cérebro e, em alguns casos, antes mesmo do nascimento.

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    Os autores destacam, porém, que isso não quer dizer que os transtornos mentais “já estejam determinados” ao nascer. Mas indica que parte do risco genético atua em etapas iniciais, influenciando como o cérebro se forma, se organiza e cria suas conexões básicas.

    O estudo também mostra que os genes associados ao risco compartilhado não costumam agir em circuitos muito específicos. Eles afetam funções mais amplas, como:

    A formação das conexões entre os neurônios
    O equilíbrio da comunicação química e elétrica do cérebro
    O funcionamento de células de suporte, que ajudam a proteger e organizar essas conexões

    É como se esses genes ajudassem a “preparar o terreno” sobre o qual o cérebro vai se desenvolver. Dependendo de outros fatores, como experiências de vida, estresse, relações sociais e ambiente, esse terreno pode dar origem a diferentes trajetórias de saúde mental.

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    Limitações

    Os autores reconhecem limitações importantes no estudo. A principal delas é que a maior parte dos dados analisados vêm de populações com ancestralidade europeia, o que dificulta a generalização dos resultados para outros contextos culturais e sociais. Ampliar a diversidade dos bancos genéticos, na opinião deles, é um passo importante para que futuras pesquisas tragam conclusões mais representativas.

    Ainda assim, eles defendem que os achados podem ter implicações importantes, como contribuir para uma classificação da saúde mental mais alinhada com a biologia do cérebro, além de ajudar a identificar alvos comuns para tratamentos, especialmente em quadros em que os diagnósticos se sobrepõem.

    “Nossos resultados têm implicações para o refinamento da nosologia clínica e para o desenvolvimento e reaproveitamento de terapias inovadoras”, afirmam.



    FONTE: Meio e Saúde

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    meioesaude
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