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O diabetes vai além do controle de glicemia, causando complicações visuais graves como a retinopatia diabética e o edema macular. Essas condições geram altos custos sociais e econômicos, além de impactarem a qualidade de vida. A matéria destaca a necessidade de tratamentos eficazes e a urgência de atualização das diretrizes para garantir acesso.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Quando se fala em diabetes, o foco costuma ser o controle da glicemia. No entanto, o impacto da doença vai muito além. À medida que o diabetes progride, surgem complicações graves que exigem cuidados complexos e ameaçam a autonomia, produtividade e qualidade de vida do paciente.
Uma das mais impactantes é a retinopatia diabética, uma condição que afeta os vasos da retina, tende a permanecer assintomática em seus estágios iniciais e pode evoluir para edema macular diabético, hemorragias, descolamentos de retina e danos visuais irreversíveis como perda visual grave.
Porém, trata-se de uma cegueira evitável quando a realização periódica de exames oftalmológicos é realizada, além do tratamento precoce e adequado são implementados.
Estamos diante de um problema frequente: a retinopatia diabética atinge 26% das pessoas com diabetes, o equivalente a um em cada três pacientes. Além disso, 5% desenvolvem formas graves da doença. Como atinge adultos em idade produtiva, os prejuízos sociais e econômicos são profundos.
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No Brasil, os custos com o diabetes somaram US$ 42,9 bilhões em 2021. Sob o ponto de vista social, o custo em 2014 chegou a US$ 15,67 bilhões. Destes, US$ 6,89 bilhões foram gastos médicos e US$ 5,07 bilhões refletiram perdas indiretas, como absenteísmo e incapacidade laboral.
Na perda visual por edema macular diabético, impressionantes 92% do impacto econômico decorrem justamente da perda de produtividade.
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As complicações oculares podem custar caro ao sistema de saúde, ao paciente e sua rede de cuidadores. Quem desenvolve edema macular diabético gera custos de saúde mais de duas vezes superiores, alcançando até R$ 15 000 em apenas seis meses nos casos severos.
O gasto direto anual salta de US$ 176 antes da complicação para US$5.172 no segundo ano. Somente em 2014, o Sistema Único de Saúde (SUS) destinou US$ 47,3 milhões a procedimentos oftalmológicos para pessoas que vivem com diabetes.
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Por isso, oferecer opções terapêuticas eficazes é indispensável. Hoje, o SUS disponibiliza os anti-VEGF para o tratamento e controle de retinopatia diabética, mas é importante mencionar que entre 30% e 40% dos pacientes podem apresentar resposta inadequada.
Para esses casos, incluir tratamentos com outros mecanismos de ação, como os corticosteroides intravítreos, garante um cuidado individualizado e eficiente, cobrindo uma necessidade não atendida para uma relevante parcela de pacientes.
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Em outubro de 2023, o Ministério da Saúde deu um passo importante ao incorporar o implante biodegradável de dexametasona para edema macular diabético. A Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no SUS (Conitec) estimou uma economia de R$ 16,2 milhões em cinco anos com a medida. Agora, o desafio atual é transformar essa decisão em acesso real.
As diretrizes do Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT) de retinopatia diabética não são atualizadas desde 2021. É urgente reorganizar essa linha de cuidado para assegurar rastreamento, diagnóstico precoce e tratamento adequado para os diferentes perfis de pacientes.
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Afinal, no diabetes, preservar a visão é também proteger a sustentabilidade da saúde pública.
*André Vieira Gomes é médico dirigente do departamento de oftalmologia da Faculdade de Medicina da Beneficência Portuguesa, professor colaborador do departamento de oftalmologia da USP e membro do conselho consultivo da Sociedade Brasileira de Retina e Vítreo
