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    Home»Covid19»Tempo de espera por transplante de córnea dobra em uma década no Brasil
    Covid19

    Tempo de espera por transplante de córnea dobra em uma década no Brasil

    meioesaudeBy meioesaude1 de Setembro, 2025Sem comentários3 Mins Read
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    O tempo de espera por um transplante de córnea mais que dobrou na última década e já supera um ano, segundo um levantamento do Conselho Brasileiro de Oftalmologia (CBO) com base em dados do Sistema Nacional de Transplantes (SNT) do período de 2015 a 2024. O represamento de pacientes em função da pandemia de covid-19 está entre os fatores que impactaram na fila, que deve continuar em tendência de crescimento, o que vai demandar ações para garantir o procedimento que recupera a função visual de pessoas com comprometimento da estrutura.

    De acordo com a entidade, a espera pela cirurgia é de, em média, 374 dias, 114% a mais do tempo registrado há dez anos, quando o prazo era de 174 dias. Os dados foram apresentados no 69º Congresso Brasileiro de Oftalmologia, realizado em Curitiba.

    “Até julho de 2025, o Brasil tinha 31.240 pessoas inscritas na fila por um transplante de córnea. São Paulo concentrava o maior número, com 6.617 pacientes (21% do total nacional), seguido por Rio de Janeiro (5.141) e Minas Gerais (4.346). Entre os estados com menor demanda, estão Mato Grosso (55) e Ceará (58)”, informou, em nota, o CBO.

    O Brasil tem um cenário cheio de disparidades no que diz respeito aos transplantes de córnea, de modo que longas esperas e a rápida realização da cirurgia podem ser encontradas na mesma região do país. Enquanto a fila supera 1.000 dias em Alagoas e no Rio Grande do Norte, o prazo é de 58 dias no Ceará. No Rio de Janeiro, chega a 1.424 dias e está em 247 dias em São Paulo. São mais de 1.000 dias no Acre e 243 dias no Amazonas.

    Perfil dos pacientes

    O levantamento fez ainda um perfil dos pacientes que aguardam a doação da córnea e 55,7% são mulheres, 47% têm mais de 65 anos e 17% têm entre 18 e 34 anos. A população infantojuvenil também foi citada, totalizando 458 crianças e adolescentes aguardando.

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    Entre os transplantados, o maior volume de procedimentos se concentra entre homens de 50 a 69 anos. As principais doenças que levam à necessidade de transplante são ceratocone (alteração no formato da córnea), leucoma (tipo de mancha na estrutura) e problemas degenerativos da córnea, como distrofias endoteliais.

    Covid e outros problemas

    Além da covid-19, o valor defasado dos repasses para os procedimentos e dificuldades para manutenção dos bancos de olhos, que lidam com o alto custo dos insumos cotados em dólar, foram apresentados como problemas que impactam na espera por um transplante.

    “Em maio desse ano, o Ministério da Saúde deu um passo importante contra o aumento do tempo de espera por transplante de córneas com a publicação da Portaria 6.924. A medida reajustou valores pagos pelo líquido de preservação para transplante da córnea (20 ml), que foi de R$ 148 para R$ 500, e pela sorologia de possível doador de córnea e esclera. Esse item saltou de R$ 60 para R$ 186. No entanto, ainda há outros itens dessa tabela de procedimentos que estão defasados e carecem de revisão”, disse o CBO.

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    FONTE: Meio e Saúde

    Brasil córnea década dobra espera por tempo transplante uma
    meioesaude
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