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    Home»Últimas»Skinny Tok: a onda perigosa que prega obsessão pela magreza na internet | Letra de Médico
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    Skinny Tok: a onda perigosa que prega obsessão pela magreza na internet | Letra de Médico

    meioesaudeBy meioesaude3 de Junho, 2025Sem comentários3 Mins Read
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    A magreza voltou ao centro dos holofotes, mas não de forma saudável. No TikTok, milhares de vídeos reúnem imagens de corpos extremamente esbeltos, acompanhadas de frases como “Não seja fraca, seja magra” ou “Sofra para ser perfeita”. Esse fenômeno ficou conhecido como Skinny Tok.

    Ele não é apenas uma nova moda digital, mas resgata velhos fantasmas da cultura da magreza, agora potencializados pelo alcance massivo das redes sociais.

    Os vídeos refletem modelos corporais que não são apenas inatingíveis para a maioria das pessoas, mas também biologicamente incompatíveis com a saúde. Isso gera consequências emocionais e físicas gravíssimas.

    No começo dos anos 2000, fóruns online chegaram a defender a anorexia como estilo de vida. Hoje, o Skinny Tok surge de forma mais disfarçada, mas igualmente perigosa.

    Quando adolescentes, o público desses vídeos, associam magreza a controle, sucesso e beleza, criam uma relação distorcida com a comida e com o próprio corpo.

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    As ‘dicas’ amigas mais parecem vir de inimigos: comer apenas uma vez ao dia, beber líquidos para enganar a fome, cortar grupos alimentares inteiros e um show de desinformação.

    É um tipo de conteúdo que promove comportamento autodestrutivo. Esse discurso, veiculado em larga escala, constitui uma verdadeira incitação à anorexia, um transtorno alimentar potencialmente fatal. E desconsidera que a obesidade é uma doença multifatorial, com fatores emocionais, genéticos, metabólicos e sociais envolvidos.

    Dados da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostram que cerca de 4,7% da população brasileira sofre de algum transtorno alimentar. Mas esse número pode ser ainda maior, já que muitos casos não são diagnosticados.

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    Os transtornos alimentares têm múltiplas causas: envolvem genética, fatores psicológicos, pressões sociais e culturais. Mas não há dúvida de que a glorificação da magreza extrema nas redes sociais é hoje um dos principais gatilhos, principalmente entre jovens em formação.

    Estudos mostram que meninas expostas a imagens idealizadas de magreza em redes sociais têm maior risco de desenvolver insatisfação corporal, o principal fator de risco para anorexia e bulimia. Restringir drasticamente a alimentação também pode levar a deficiências nutricionais graves, osteoporose precoce, queda de cabelo, alterações hormonais e problemas cardíacos.

    Não estamos falando só de aparência. Há riscos de automutilação e suicídio: esse padrão coloca vidas em risco real.

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    Outro ponto crítico é o uso indiscriminado de medicamentos para emagrecimento. Esses remédios não são mágicos; eles têm indicações muito específicas e, quando usados sem orientação, além de não resolverem o problema, podem trazer efeitos colaterais graves e ainda fazer com que percam eficácia como recurso terapêutico futuro.

    Mais do que culpar redes sociais ou usuários, é preciso uma abordagem integrada. Precisamos de políticas públicas para educação alimentar e corporal, necessitamos das famílias atentas e de profissionais de saúde qualificados para tratar casos já instalados.

    * Marcella Garcez é médica nutróloga, mestra em ciências da saúde, diretora da Associação Brasileira de Nutrologia (ABRAN) e membro da Câmara Técnica de Nutrologia do CRMPR

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    FONTE: Meio e Saúde

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