O Brasil voltou a aparecer entre os 20 países com o maior número de crianças sem nenhuma dose de vacina, de acordo com um novo levantamento da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Fundo das Nações Unidas para a Infância (UNICEF), divulgado nesta segunda-feira, 15 de julho. Os dados se referem ao ano de 2024 e colocam o país na 17ª posição do ranking — um retrocesso em relação a 2023, quando havia deixado essa lista após melhora temporária nos índices de cobertura vacinal.
O indicador utilizado é a aplicação da DTP1 (primeira dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche), considerada um marcador-chave para identificar as chamadas “crianças zero dose”, ou seja, aquelas que não receberam nenhuma vacina do calendário básico.
Confira os 20 países com maior número de crianças sem vacinação básica:
Nigéria
Índia
Sudão
República Democrática do Congo
Etiópia
Indonésia
Iêmen
Afeganistão
Angola
Paquistão
México
Filipinas
Tanzânia
Madagascar
África do Sul
China
Brasil
Mianmar
Costa do Marfim
Camarões
Panorama global
Continua após a publicidade
Em 2024, cerca de 115 milhões de bebês — 89% do total — receberam ao menos uma dose da vacina contra difteria, tétano e coqueluche (DTP), e aproximadamente 109 milhões (85%) completaram o esquema de três doses, de acordo com a UNICEF e OMS.
Em comparação com 2023, 171 mil crianças a mais foram imunizadas com a primeira dose, e um milhão a mais completaram o esquema vacinal. Apesar disso, quase 20 milhões de crianças em todo o mundo ainda não receberam todas as doses da DTP. Desse total, 14,3 milhões são consideradas “zero dose”, ou seja, não tomaram sequer uma vacina, número que supera em 4 milhões a meta prevista para 2024 com base nos objetivos da Agenda de Imunização 2030. Em comparação com 2019, são 1,4 milhão de crianças a mais sem qualquer imunização.
“Vacinas salvam vidas. Elas permitem que indivíduos, famílias, comunidades e nações prosperem”, afirmou o diretor-geral da OMS, Tedros Adhanom Ghebreyesus. “É animador ver o aumento contínuo no número de crianças vacinadas no mundo, mas ainda há muito trabalho a fazer. Cortes drásticos na ajuda humanitária, combinados com a desinformação sobre a segurança das vacinas, colocam em risco décadas de avanços”, complementou.
