Close Menu

    Inscreva-se para novidades

    Get the latest creative news from FooBar about art, design and business.

    What's Hot

    Anvisa aprova caneta de Wegovy de dose tripla e maior potência, com capacidade de reduzir mais de 20% do peso

    4 de Maio, 2026

    Caneta da família Ozempic passa em prova de conceito para tratar dependência por álcool

    4 de Maio, 2026

    A cura por um nervo: a promessa para várias doenças que dispensa remédios | Conta-Gotas

    1 de Maio, 2026
    Facebook X (Twitter) Instagram
    Meio e Saúde
    Facebook X (Twitter) Instagram
    • Home
    • Notícias
    • Câncer de Mama
    • Câncer de Próstata
    • Covid19
    • Diabetes
    • Obesidade
    • Sobre Nós
    • Contato
    Meio e Saúde
    Home»Últimas»Na cova do leão: o jovem morto no zoológico não é uma exceção | Mens sana
    Últimas

    Na cova do leão: o jovem morto no zoológico não é uma exceção | Mens sana

    meioesaudeBy meioesaude8 de Dezembro, 2025Sem comentários6 Mins Read
    Facebook Twitter Pinterest LinkedIn Tumblr Reddit WhatsApp Email
    Share
    Facebook Twitter LinkedIn Pinterest WhatsApp Email



    A cena parece saída de um sonho febril: Gerson Machado, um rapaz de 19 anos recém-saído da prisão, desce de uma árvore dentro do recinto dos leões em um zoológico de João Pessoa, sob os olhares atônitos – e os celulares atentos – de outros visitantes. Antes mesmo de tocar o chão, uma leoa avança e o ataca na altura do quadril. Minutos depois, ele está morto.

    O episódio foi tratado como bizarrice, tragédia isolada, mais uma história de “loucura” em um país acostumado a transformar sofrimento mental em espetáculo. A morte, de fato, é exótica — poucos desfechos terminam dentro de uma jaula de leões. Mas a trajetória que levou Gerson até ali está longe de ser rara.

    Qualquer profissional que trabalhe com vulnerabilidade e saúde mental no Brasil reconhece o enredo: uma pessoa com histórico de psicose, talvez deficiência intelectual, surtos frequentes, suporte familiar frágil (no caso de Gerson, sua mãe também tem esquizofrenia), idas e vindas pelo sistema penal e nenhum acesso ao nível de cuidado que realmente precisava.

    Na prisão, tentaram medicá-lo, contê-lo, estabilizá-lo. Mas quando chegou o dia da soltura e ele foi encaminhado a um serviço sem estrutura para conter crises graves — o desfecho se tornou quase automático. Sua conselheira tutelar, que o acompanhava desde menino, descreveu o caso como uma “tragédia anunciada”.

    Quando me formei no Instituto de Psicologia da USP, em 1989, o país ainda vivia a lógica manicomial como regra para o cuidado em saúde mental grave. Nas aulas de psicopatologia, visitávamos hospitais psiquiátricos com nossa professora.

    O que vimos marcou toda a turma: corredores escuros, cheiro azedo, pacientes envelhecidos pela institucionalização, vários com aparência de estarem excessivamente medicados (dopados), pessoas que haviam passado décadas — algumas uma vida inteira — dentro de instituições onde o tempo não corria. Pior: muitos já não sabiam mais viver fora dali e não tinham contato com suas famílias.

    Continua após a publicidade

    A Reforma Psiquiátrica surgiu justamente para quebrar esse ciclo, defendendo a desinstitucionalização e o tratamento em liberdade, na comunidade e com apoio familiar. Ambulatórios comunitários, os CAPS (Centro de atenção psicossocial) foram criados — e são fundamentais para impedir que vidas inteiras desapareçam atrás de muros. Há conquistas que não podem ser esquecidas.

    O que tem de mudar

    Para seguir adiante, é preciso reconhecer o que mudou — e o que se perdeu no mundo das boas intenções. No Brasil, pessoas com quadros psiquiátricos graves, que precisam de cuidado contínuo e, por vezes, internação, têm poucas opções reais. A maioria acaba nos CAPS, que, apesar de fundamentais, são majoritariamente ambulatórios, não possuem serviços de crise: raros funcionam 24 horas, têm poucos leitos e carecem de estrutura para segurar alguém em surto sem suporte familiar.

    É como levar alguém infartando a um posto de saúde — podem haver esforço e boas intenções, mas não é o serviço adequado para aquele momento. A desinstitucionalização foi um marco histórico, sim, mas também cristalizou certas convicções. E convicções cristalizadas, mesmo quando nascem generosas, podem nos impedir de enxergar o que já não funciona.

    Esse hiato entre o ideal e a realidade não surgiu agora. Pegue o testemunho de Ferreira Gullar, um dos maiores poetas brasileiros, que falava do tema com a autoridade de quem era pai de dois filhos com esquizofrenia. Em um artigo publicado há mais de quinze anos, criticou a crença — hoje ainda dominante em certos círculos — de que toda internação é abuso ou abandono.

    Continua após a publicidade

    Dizia, sem rodeios, que parte do discurso havia se tornado demagogia e que famílias pobres ficavam completamente desassistidas. Seus filhos foram internados quando necessário, e apenas pelo tempo adequado (a família tinha recursos para isso) — o que evitou tragédias.

    Ele rejeitava a ideia de que famílias que recorrem à internação “querem se livrar” do doente, ironizando que críticos que nunca viram seus filhos pareciam amá-los mais do que ele próprio.

    Esse vácuo de cuidado não é exceção brasileira. Nos Estados Unidos, livros como Crazy (Pete Earley) e Insane (Alisa Roth) mostram o mesmo paradoxo: foram fechados hospitais psiquiátricos sem criar substitutos robustos e assim as famílias de indivíduos com transtornos mentais graves ficaram desassistidas.

    Até a APA (Associação Psiquiátrica Americana) admite que as prisões americanas se tornaram os maiores provedores de saúde mental no país. E os dados mais recentes deixam claro para onde as pessoas vão quando o Estado promete liberdade, mas não oferece cuidado.

    Continua após a publicidade

    Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, reunindo 85 estudos e mais de 48 mil participantes de Canadá, Alemanha e EUA, mostrou que 67% das pessoas atualmente em situação de rua têm transtornos mentais, e que a prevalência ao longo da vida chega a 77%.

    Entre homens, sobe para 85%. Não estamos diante de “má sorte individual”, mas de um padrão epidemiológico: quando faltam serviços, as pessoas não ficam bem — elas desaparecem nos interstícios entre rua, prisão e desamparo.

    O que falta ao Brasil não é regressão manicomial (isso ninguém sério defende), mas modernização da rede. Leitos psiquiátricos de número e qualidade adequados, unidades de crise, serviços residenciais reais, equipes integradas. Falta abandonar debates ideológicos e olhar para a evidência clínica e epidemiológica: algumas pessoas precisam de cuidado intensivo, e negar isso não é política de saúde mental — é abandono institucional.

    O caso de Gerson não é exceção bizarra. É um aviso. E enquanto continuarmos sem serviços intermediários, sem leitos, sem planejamento pós-alta e com ambulatórios carregando funções impossíveis, veremos mais pessoas buscando — literal ou simbolicamente — qualquer parede, jaula ou limite que lhes devolva alguma forma de contenção.

    Continua após a publicidade

    O que elas precisam não é desse tipo de “limite” encontrado ao acaso. É de cuidado contínuo, digno e que faça sentido no século XXI.

    * Ilana Pinsky é psicóloga clínica e doutora pela Unifesp. É autora de Saúde Emocional: Como Não Pirar em Tempos Instáveis (Contexto), entre outros livros. Foi consultora da OMS e da OPAS e professora da Universidade Colúmbia. Siga a colunista no Instagram: @ilanapinsky_

    Compartilhe essa matéria via:





    FONTE: Meio e Saúde

    cova exceção Jovem Leão Mens morto não sana uma zoológico
    meioesaude
    • Website

    Relacionados

    ‘As notícias não são boas’, diz ‘papa’ da gordura no fígado sobre doença que virou pandemia

    17 de Abril, 2026

    Maior laboratório do país anuncia versão nacional do Ozempic – e não se trata de um genérico

    20 de Março, 2026

    Quatro alimentos que não podem faltar na rotina de quem usa canetas emagrecedoras

    19 de Março, 2026
    Leave A Reply Cancel Reply

    Não Perca
    Obesidade

    Anvisa aprova caneta de Wegovy de dose tripla e maior potência, com capacidade de reduzir mais de 20% do peso

    By meioesaude4 de Maio, 20260

    Ler Resumo A Anvisa aprovou a versão mais potente do Wegovy (7,2 mg) no Brasil.…

    Caneta da família Ozempic passa em prova de conceito para tratar dependência por álcool

    4 de Maio, 2026

    A cura por um nervo: a promessa para várias doenças que dispensa remédios | Conta-Gotas

    1 de Maio, 2026

    Um exame simples, que pouca gente faz e ajuda a evitar graves problemas | Letra de Médico

    1 de Maio, 2026
    Nossas Redes
    • Facebook
    • Twitter
    • Pinterest
    • Instagram
    • YouTube
    • Vimeo
    Últimas

    Anvisa aprova caneta de Wegovy de dose tripla e maior potência, com capacidade de reduzir mais de 20% do peso

    4 de Maio, 2026

    Caneta da família Ozempic passa em prova de conceito para tratar dependência por álcool

    4 de Maio, 2026

    A cura por um nervo: a promessa para várias doenças que dispensa remédios | Conta-Gotas

    1 de Maio, 2026

    Um exame simples, que pouca gente faz e ajuda a evitar graves problemas | Letra de Médico

    1 de Maio, 2026

    Inscreva-se

    Fique por dentro das atualizações

    Demo
    Meio e Saúde
    Facebook X (Twitter) Instagram
    © 2026 ThemeSphere. Designed by ThemeSphere.

    Type above and press Enter to search. Press Esc to cancel.