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    Home»Últimas»Na cova do leão: o jovem morto no zoológico não é uma exceção | Mens sana
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    Na cova do leão: o jovem morto no zoológico não é uma exceção | Mens sana

    meioesaudeBy meioesaude8 de Dezembro, 2025Sem comentários6 Mins Read
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    A cena parece saída de um sonho febril: Gerson Machado, um rapaz de 19 anos recém-saído da prisão, desce de uma árvore dentro do recinto dos leões em um zoológico de João Pessoa, sob os olhares atônitos – e os celulares atentos – de outros visitantes. Antes mesmo de tocar o chão, uma leoa avança e o ataca na altura do quadril. Minutos depois, ele está morto.

    O episódio foi tratado como bizarrice, tragédia isolada, mais uma história de “loucura” em um país acostumado a transformar sofrimento mental em espetáculo. A morte, de fato, é exótica — poucos desfechos terminam dentro de uma jaula de leões. Mas a trajetória que levou Gerson até ali está longe de ser rara.

    Qualquer profissional que trabalhe com vulnerabilidade e saúde mental no Brasil reconhece o enredo: uma pessoa com histórico de psicose, talvez deficiência intelectual, surtos frequentes, suporte familiar frágil (no caso de Gerson, sua mãe também tem esquizofrenia), idas e vindas pelo sistema penal e nenhum acesso ao nível de cuidado que realmente precisava.

    Na prisão, tentaram medicá-lo, contê-lo, estabilizá-lo. Mas quando chegou o dia da soltura e ele foi encaminhado a um serviço sem estrutura para conter crises graves — o desfecho se tornou quase automático. Sua conselheira tutelar, que o acompanhava desde menino, descreveu o caso como uma “tragédia anunciada”.

    Quando me formei no Instituto de Psicologia da USP, em 1989, o país ainda vivia a lógica manicomial como regra para o cuidado em saúde mental grave. Nas aulas de psicopatologia, visitávamos hospitais psiquiátricos com nossa professora.

    O que vimos marcou toda a turma: corredores escuros, cheiro azedo, pacientes envelhecidos pela institucionalização, vários com aparência de estarem excessivamente medicados (dopados), pessoas que haviam passado décadas — algumas uma vida inteira — dentro de instituições onde o tempo não corria. Pior: muitos já não sabiam mais viver fora dali e não tinham contato com suas famílias.

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    A Reforma Psiquiátrica surgiu justamente para quebrar esse ciclo, defendendo a desinstitucionalização e o tratamento em liberdade, na comunidade e com apoio familiar. Ambulatórios comunitários, os CAPS (Centro de atenção psicossocial) foram criados — e são fundamentais para impedir que vidas inteiras desapareçam atrás de muros. Há conquistas que não podem ser esquecidas.

    O que tem de mudar

    Para seguir adiante, é preciso reconhecer o que mudou — e o que se perdeu no mundo das boas intenções. No Brasil, pessoas com quadros psiquiátricos graves, que precisam de cuidado contínuo e, por vezes, internação, têm poucas opções reais. A maioria acaba nos CAPS, que, apesar de fundamentais, são majoritariamente ambulatórios, não possuem serviços de crise: raros funcionam 24 horas, têm poucos leitos e carecem de estrutura para segurar alguém em surto sem suporte familiar.

    É como levar alguém infartando a um posto de saúde — podem haver esforço e boas intenções, mas não é o serviço adequado para aquele momento. A desinstitucionalização foi um marco histórico, sim, mas também cristalizou certas convicções. E convicções cristalizadas, mesmo quando nascem generosas, podem nos impedir de enxergar o que já não funciona.

    Esse hiato entre o ideal e a realidade não surgiu agora. Pegue o testemunho de Ferreira Gullar, um dos maiores poetas brasileiros, que falava do tema com a autoridade de quem era pai de dois filhos com esquizofrenia. Em um artigo publicado há mais de quinze anos, criticou a crença — hoje ainda dominante em certos círculos — de que toda internação é abuso ou abandono.

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    Dizia, sem rodeios, que parte do discurso havia se tornado demagogia e que famílias pobres ficavam completamente desassistidas. Seus filhos foram internados quando necessário, e apenas pelo tempo adequado (a família tinha recursos para isso) — o que evitou tragédias.

    Ele rejeitava a ideia de que famílias que recorrem à internação “querem se livrar” do doente, ironizando que críticos que nunca viram seus filhos pareciam amá-los mais do que ele próprio.

    Esse vácuo de cuidado não é exceção brasileira. Nos Estados Unidos, livros como Crazy (Pete Earley) e Insane (Alisa Roth) mostram o mesmo paradoxo: foram fechados hospitais psiquiátricos sem criar substitutos robustos e assim as famílias de indivíduos com transtornos mentais graves ficaram desassistidas.

    Até a APA (Associação Psiquiátrica Americana) admite que as prisões americanas se tornaram os maiores provedores de saúde mental no país. E os dados mais recentes deixam claro para onde as pessoas vão quando o Estado promete liberdade, mas não oferece cuidado.

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    Uma revisão sistemática e meta-análise publicada em 2024, reunindo 85 estudos e mais de 48 mil participantes de Canadá, Alemanha e EUA, mostrou que 67% das pessoas atualmente em situação de rua têm transtornos mentais, e que a prevalência ao longo da vida chega a 77%.

    Entre homens, sobe para 85%. Não estamos diante de “má sorte individual”, mas de um padrão epidemiológico: quando faltam serviços, as pessoas não ficam bem — elas desaparecem nos interstícios entre rua, prisão e desamparo.

    O que falta ao Brasil não é regressão manicomial (isso ninguém sério defende), mas modernização da rede. Leitos psiquiátricos de número e qualidade adequados, unidades de crise, serviços residenciais reais, equipes integradas. Falta abandonar debates ideológicos e olhar para a evidência clínica e epidemiológica: algumas pessoas precisam de cuidado intensivo, e negar isso não é política de saúde mental — é abandono institucional.

    O caso de Gerson não é exceção bizarra. É um aviso. E enquanto continuarmos sem serviços intermediários, sem leitos, sem planejamento pós-alta e com ambulatórios carregando funções impossíveis, veremos mais pessoas buscando — literal ou simbolicamente — qualquer parede, jaula ou limite que lhes devolva alguma forma de contenção.

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    O que elas precisam não é desse tipo de “limite” encontrado ao acaso. É de cuidado contínuo, digno e que faça sentido no século XXI.

    * Ilana Pinsky é psicóloga clínica e doutora pela Unifesp. É autora de Saúde Emocional: Como Não Pirar em Tempos Instáveis (Contexto), entre outros livros. Foi consultora da OMS e da OPAS e professora da Universidade Colúmbia. Siga a colunista no Instagram: @ilanapinsky_

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    FONTE: Meio e Saúde

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