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A gordura no fígado (MASLD) emerge como uma pandemia global, intimamente ligada à obesidade e diabetes. Especialistas alertam que 1,8 bilhão de pessoas são afetadas. A doença, que pode levar a cirrose e câncer, é impulsionada por fatores genéticos, ultraprocessados e álcool. Urge ação para evitar impacto social e econômico.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O mundo vive a convergência de três “pandemias” intimamente ligadas: a obesidade, o diabetes e a gordura no fígado. E o problema hepático, por si só, já representa um dos mais duros desafios de saúde pública da nossa era. “Estamos diante de uma das causas mais comuns de cirrose, câncer de fígado e indicação para transplante, e a previsão, infelizmente, é que os números continuem crescendo”, afirma Zobair Younossi, uma das maiores autoridades da hepatologia internacional, que esteve no Brasil durante a Semana de Fígado do Rio de Janeiro, tradicional evento médico realizado anualmente.
Presidente do Global NASH Council (o conselho global voltado à esteatose hepática) e professor da Universidade Georgetown, nos Estados Unidos, Younossi acumula mais de três décadas de estudos voltados ao que hoje os especialistas chamam de MASLD, sigla do inglês para doença hepática esteatótica associada à disfunção metabólica, o nome técnico para o que popularmente conhecemos como “gordura no fígado”.
No congresso no Rio, o “papa” do assunto conversou com a hepatologista Cristiane Vilela Nogueira, professora da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), que cedeu com exclusividade uma instrutiva entrevista a VEJA. Novos números reforçam a urgência do tema: segundo pesquisa recém-publicada no periódico científico The Lancet, 1,3 bilhão de pessoas no mundo convivem, muitas vezes sem saber, com a MASLD.
“Estou envolvido nesse campo de estudo por mais de 30 anos e devo dizer que a MASLD está se tornando a doença hepática mais prevalente no mundo, impulsionada pela pandemia de obesidade e diabetes tipo 2”, diz Younossi. “Cerca de um terço da população tem gordura no fígado, e esse número continuará aumentando a menos que façamos algo tanto no nível dos pacientes como em termos de políticas públicas.”
O hepatologista ressalta que, além de poder evoluir para cirrose e câncer no fígado, a MASLD já se tornou, ao menos na Europa, a segunda maior causa de transplante hepático. E a expectativa é particularmente preocupante para o Brasil e a América Latina. “Não são boas notícias, uma vez que a região concentra a maior prevalência global da doença.”
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Por qual razão? “A MASLD é uma doença complexa, influenciada por fatores genéticos e ambientais. Tanto no Brasil como nos demais países da América Latina vemos que é mais frequente uma alteração genética que propicia o quadro. Além disso, a abundância de alimentos ultraprocessados e bebidas açucaradas e a falta de atividade física contribuem para esse cenário”, responde o expert. “Também descobrimos recentemente que o álcool, mesmo em quantidades moderadas, pode agravar o problema.”
Younossi conta que, por meio de projeções feitas junto a colegas brasileiros, o horizonte para os próximos 20 anos no país é alarmante. “Prevejo um impacto social e econômico substancial”, afirma. “Temos de educar os colegas médicos e os formuladores de políticas públicas para introduzir mudanças desde já”, defende.
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