O termo opioide é utilizado para denominar várias substâncias derivadas da papoula de ópio e suas variações sintéticas e semissintéticas. Eles têm um uso médico legítimo como analgésicos potentes e incluem a codeína (que tem um baixo potencial para criar dependência), oxicodona (isolada e em várias combinações, como oxicodona e paracetamol), meperidina, morfina, pentazocina e hidromorfona. A metadona ingerida pela boca e a fentanila, administrada por um adesivo na pele, são usadas para dor grave crônica. A heroína é um opioide potente que é ilegal nos Estados Unidos, mas ela é usada para aplicações de tratamento muito limitadas em outros países. São utilizados para aliviar a dor, mas também provocam uma sensação exagerada de bem-estar e, se usados em exagero, podem levar à dependência e ao vício.
Na odontologia, a prescrição da Cannabis Medicinal pode reduzir o uso de opioides?
De acordo com a dentista Juliana Maraski, prescritora e estudiosa sobre a Cannabis Medicinal, pode, sim, ser uma alternativa viável para a redução de opioides no tratamento de dores e ansiedade dentro do âmbito odontológico. “Torna-se mais seguro e gera conforto ao paciente que receberá o seu benefício, não somente na queixa principal, mas, também, no contexto geral de sua saúde”, explica.
Cannabis Medicinal pode proporcionar efeitos positivos no tratamento de dores orofaciais
A dentista aponta que através dos fitocanabinoides pode-se reduzir a transmissão dos sinais de dor vindos de terminais nervosos periféricos, impedindo que essas informações cheguem aos circuitos cerebrais responsáveis pela sensação de dor. A presença de CB1 — receptor encontrado em abundância no sistema nervoso central (SNC) — nos estágios de processamento de informações dolorosas é coerente com os efeitos analgésicos da Cannabis Medicinal. “São capazes de bloquear ou inibir a transmissão dos impulsos nervosos controlando a dor. Além disso, não gera dependência”, comenta Juliana.
Efeitos adversos
“Não encontramos efeitos adversos que comprometem o seu uso, no entanto, abordamos a sonolência que pode ser controlada com o aumento ou diminuição da dosagem”, diz a dentista.

Acompanhamento no tratamento
Juliana ressalta ser crucial, pois a Cannabis Medicinal não é um tratamento fixo, ou seja, uma dose terapêutica nunca é igual de uma pessoa para outra. A abordagem inclui uma conversa com o paciente em que será conhecido os hábitos alimentares, atividades exercidas, doenças pré-existentes e queixas. Dessa forma, o plano será traçado individualmente, absorvendo todas as suas necessidades e dose inicial ao tratamento. Com o passar dos dias, mais gotas, ou menos gotas, serão mudadas conforme os relatos do paciente.
