Sintomas associados à doença, como agitação, distúrbios do sono e ansiedade, também apresentam resposta positiva ao tratamento com fitocanabinoides
A campanha Fevereiro Roxo foi criada para conscientizar a população sobre a importância do diagnóstico precoce das doenças Alzheimer, Fibromialgia e Lúpus. Elas não têm cura, mas é fundamental a realização do diagnóstico correto para que o tratamento seja feito de maneira eficaz e segura. Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), a demência é a sétima causa de mortes no mundo, afetando 55 milhões de pessoas. O Alzheimer responde por cerca de 70% desses casos diagnosticados. No estudo divulgado pela revista científica The Lancet Public Health, o número de indivíduos com demência pode aumentar para 153 milhões até 2050. Já o Ministério da Saúde aponta que cerca de 1,2 milhão de brasileiros sofrem com a doença e 100 mil novos casos surgem anualmente.
O Alzheimer é caracterizado pela perda de funções cognitivas (memória, orientação, atenção e linguagem), causada pela morte de células cerebrais devido à inflamação e neurotoxicidade crônica, decorrente de um acúmulo anormal de uma proteína no cérebro, a beta-amiloide. Quando diagnosticado no início, é possível mitigar o avanço e ter mais controle sobre os sintomas, garantindo melhor qualidade de vida ao paciente e à família. Os principais sintomas são perda de memória recente; dificuldade para encontrar palavras; desorientação no tempo e no espaço; dificuldade para tomar decisões; perda de iniciativa e de motivação; sinais de depressão; agressividade; diminuição de interesse por atividades e passatempos.
Mas uma notícia que pode ser animadora é a utilização da Cannabis Medicinal para o tratamento. De acordo com o médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, os fitocanabinoides como THC (tetrahidrocanabinol) e CBD (canabidiol) foram estudados pelos efeitos potenciais na doença. “Canabinoides podem proteger as células cerebrais de danos e promover a sua sobrevivência. Esse efeito neuroprotetor pode ser valioso para retardar a progressão do Alzheimer. Os canabinoides, especialmente o CBD, têm propriedades anti-inflamatórias, o que pode ajudar a reduzir a inflamação no cérebro”, comenta.

Segundo o médico, há evidências sugestivas de que os canabinóides podem promover o crescimento de novas células cerebrais — processo conhecido como neurogênese. Isso, potencialmente, pode ajudar a substituir células cerebrais danificadas em pacientes com Alzheimer. No entanto, José Wilson ressalta avaliar quais os principais sintomas a serem tratados para definir a proporção de THC e CBD em cada caso.
