De acordo com o Ministério da Saúde, a fibrose cística atinge aproximadamente 70 mil pessoas no mundo. É considerada a doença genética grave mais comum da infância e não tem cura. No Brasil, o Registro Brasileiro de Fibrose Cística (REBRAFC) contabiliza cerca de seis mil pessoas com o problema, entretanto, é possível que existam muitos pacientes sem diagnóstico e tratamento adequados.
Segundo o médico José Wilson Andrade, a patologia provoca um espessamento dos fluídos no pulmão e do sistema digestivo, acarretando a ocorrência de infecções pulmonares recorrentes e má-absorção de nutrientes. A sobrevida média para os pacientes é de 48 anos. A base do tratamento consiste em cuidados respiratórios, antibióticos para quadros infecciosos e alimentação hipercalórica suplementada. “Há medicamentos que agem diretamente na proteína defeituosa responsável pela doença, mas, infelizmente, os valores ultrapassam 100 mil reais por mês”, comenta.
A possibilidade do tratamento com a Cannabis Medicinal
José Wilson também é vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide. Ele diz que alguns estudos indicam uma deficiência do sistema endocanabinoide nos pacientes com fibrose cística. “Fitocanabinoides têm potencial anti-inflamatório, broncodilatador e podem ser benéficos para esses casos. O THC, especificamente, é um potente estimulador do apetite, efeito extremamente útil para os pacientes que precisam de um aporte calórico muito elevado”, explica. O especialista destaca que as doenças crônicas, usualmente, cursam quadros ansiosos e depressivos, apresentando excelente resposta ao tratamento com fitocanabinoides.
Como a fibrose cística é diagnosticada e os cuidados são iniciados logo nos primeiros meses de vida, uma avaliação no começo da aplicação da Cannabis Medicinal deve ser criteriosa. “O uso de fitocanabinoide é contraindicado em crianças, mas isso não é absoluto. É preciso, caso a caso, avaliar o custo-benefício do tratamento”, alerta.

Grande parte das doenças raras, como lembra o médico, os tratamentos disponíveis não são acessíveis para a maioria da população, seja pelo alto custo ou por caráter experimental. “A Cannabis é uma excelente alternativa em decorrência de seu amplo espectro terapêutico e mínimos efeitos colaterais”, conclui.
