Especialista comenta que temperos naturais podem ser adicionados no preparo da alimentação das crianças, desde a introdução alimentar, aos seis meses. Já o sal é liberado a partir de um ano
De acordo com a pediatra Tássia Rodrigues, os alimentos consumidos pela gestante conseguem modificar o sabor do líquido amniótico, começando a moldar o paladar do bebê. Ela diz que após o nascimento, o aleitamento materno é parte importante dessa preparação até chegarmos à introdução alimentar. “Construímos não só o paladar da criança como também sua relação com o alimento, sinais de fome, saciedade, reconhecimento de texturas e prazer no ato de comer”, aponta.
No fim do ano passado, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um novo guia para alimentação complementar de lactentes e crianças de seis a 23 meses. As recomendações para as famílias variam desde a amamentação, passando pela introdução alimentar até o consumo de diferentes alimentos, como o leite de vaca e outros alergênicos. Os principais pontos desse documento são o apoio à manutenção do aleitamento materno durante o período de introdução de alimentação complementar; a preocupação com o marketing abusivo de produtos que competem com a amamentação e influenciam nas escolhas das famílias; o alerta quanto ao uso excessivo e desnecessários de fórmulas infantis, compostos lácteos e “leites de crescimento”. Produtos que não apresentam vantagens nutricionais têm maior custo, podendo interferir de maneira negativa na diversidade e formação do hábito alimentar da criança. “Conversamos sobre isso desde a consulta pediátrica de pré-natal. A prática pediátrica de qualidade envolve vínculo, acolhimento e orientação constantes. É a partir desse princípio que trabalhamos juntos, somos parceiros no cuidar”, conta.
Alimentação
A médica reforça que quanto mais “descascar” e menos “desembalar”, mais próximas às crianças estarão da alimentação saudável na infância, baseada em alimentos naturais e menos ultraprocessados para o caminho da construção da saúde. Quando falamos do consumo de açúcar, a pediatra é direta: deve ser evitado nos dois primeiros anos de vida. “Não recomendamos por uma série de motivos. Dentre os principais, moldar o paladar para outros sabores e evitar doenças metabólicas no futuro. O sabor doce é preferencial ao nosso cérebro desde o início da vida e atrapalha a aceitação de outros como o azedo e o amargo. Além disso, há riscos de diabetes e obesidade futuras, sem nenhum benefício adicional em consumir um alimento calórico e sem nutrientes”, alerta.
Existe a possibilidade de as crianças recusarem verduras, legumes e frutas. A médica explica que isso é chamado de seletividade alimentar. Em casos extremos é preciso acompanhamento multidisciplinar. “É importante o olhar do pediatra para reposição de vitaminas e minerais por suplementação, até que a criança consiga ingerir os nutrientes que precisa pela alimentação”, orienta.

A pediatra chama atenção para os horários de a criança se alimentar. Segundo Tássia, ter uma rotina estabelecida garante uma segurança e previsibilidade. “É imprescindível para seu crescimento e desenvolvimento saudável, sempre, claro, respeitando os sinais de fome e saciedade para ela aprender mecanismos de autorregulação”, conclui.
