Especialista comenta que os exames preventivos devem contemplar a pré-participação de atividade física, ou seja, assegurar que o atleta vai poder realizá-la com o desempenho desejado e o menor risco de qualquer evento cardiológico possível
O cardiologista Frederico Scuotto reforça que a avaliação cardiológica para os atletas deve ser pautada na proteção máxima do indivíduo frente ao exercício que será realizado. “A Medicina não é uma ciência exata, e o risco de eventos sempre vai existir. É papel do médico zelar para que este risco seja o menor possível, estando o paciente protegido em todas as diferentes situações de atividade física”, ressalta.
Segundo o médico, a triagem é um tema controverso. De acordo com ele, a última Diretriz Europeia, de 2020, mostrou que a morte súbita em atletas é rara. A incidência varia entre um para cada cinco mil a um para cada um milhão de atletas por ano. No entanto, Scuotto aponta que fatores sobre o treinamento do atleta, como intensidade, duração e modalidade, precisam ser considerados. Conforme o especialista, o acompanhamento cardiológico dos pacientes é guiado pela classificação da atividade física dos indivíduos praticantes por lazer (amadores) e atletas profissionais.
O cardiologista explica que a custo-efetividade, na maior parte dos países, baseia-se em história clínica, exame físico e eletrocardiograma de 12 derivações nos pacientes com menos de 35 anos rotineiramente. Pode-se incluir, no caso dos atletas profissionais, o ecocardiograma e o teste ergométrico. Nos pacientes acima de 35 anos, esses exames são geralmente recomendados. “Caso se encontrem alterações sugestivas de cardiopatia na triagem básica abaixo dos 35 anos, ecocardiograma, teste ergométrico ou até exames mais específicos, como a ressonância magnética cardíaca, podem ser indicados para avaliação pré-participação esportiva”, alerta.
Acompanhamento cardiológico
Scuotto conta que o acompanhamento deve ser realizado de forma periódica e próxima do esportista, tendo em vista o dinamismo da condição física do indivíduo, indo além da triagem inicial.
Eletrocardiograma
O cardiologista afirma que o ECG é o exame mais importante em relação ao custo-benefício, já que pode oferecer inúmeras informações sobre a condição cardiológica do indivíduo, além de ser um exame de fácil aquisição e baixo custo. Scuotto cita um estudo italiano sobre o tema publicado em 2006. A pesquisa demonstrou que a história clínica, exame físico e eletrocardiograma de 12 derivações reduziram a mortalidade súbita em atletas na região do Vêneto: de 3,6-100 mil pessoas/ano para 0,4-100 mil.

O médico destaca que o assunto ainda é controverso porque países como os Estados Unidos não acham que o ECG tem custo-efetividade suficiente, recomendando apenas história clínica e exame físico para rastreio. “Felizmente, no Brasil, a Sociedade Brasileira de Cardiologia recomenda o ECG de 12 derivações como exame de triagem para atletas, como faz a Sociedade Europeia de Cardiologia”, finaliza.
