A menopausa é uma fase natural na vida da mulher que marca o fim da menstruação e da capacidade reprodutiva. Clinicamente, caracteriza-se pela não menstruação por um período de 12 meses consecutivos
Segundo a médica Tassiana Alves, geralmente, a mulher deixa de menstruar entre 50 e 55 anos. Ela ressalta que quando isso acontece, a queda da produção hormonal já estava em andamento há pelo menos dez anos. Além dos sintomas clássicos como a queda de cabelo, pele seca e, posteriormente, perda de colágeno, a mulher apresenta problemas no sono, que está relacionado ao hormônio progesterona. “Às vezes, ela pode começar a ter alterações no humor, ficando mais irritada e depressiva”, diz.
Também acontece a maior reabsorção óssea. O osso, apesar de ser um tecido duro, está sempre sendo renovado. “Novas células de ossos são produzidas e as antigas morrem. Chamamos esse processo de turnover celular, que começa a diminuir depois da queda da progesterona nas mulheres. O osso vai ficando mais frágil. A gente consegue visualizar isso até no rosto da pessoa porque algumas rugas começam a surgir”, explica.
Os hormônios esteroides são estrógeno, progesterona e testosterona. Na mulher, a progesterona está relacionada à massa muscular e óssea. A médica pontua que a queda na progesterona pode levar a um quadro de osteopenia e depois, em uma situação mais avançada, à osteoporose. Com o envelhecimento da mulher, ela perde o músculo e o osso fica mais frágil, aumentando o risco de queda e de fratura óssea. “Uma mulher de 80, 90 anos tem alto risco de fraturar o colo do fêmur e 30% que sofrem fratura nele, morrem. Não pela cirurgia, mas pelas complicações pós-cirúrgicas, por aumentar muito a condição inflamatória do corpo”, alerta. Tassiana comenta que apesar de a taxa ser alta, se a mulher entrou na menopausa, mas fez a reposição do hormônio ao longo da vida, o risco de acidentes desse tipo diminui bastante.
O estradiol aumenta a circulação cerebral, fazendo um efeito de vasodilatação (dilata as artérias). Isso leva mais nutrientes ao cérebro e ao coração. Conforme a especialista, os efeitos em longo prazo diminuem o risco, por exemplo, de a mulher ter infarto e acidente vascular cerebral (AVC). “Diminuição do risco de ocorrência das doenças: Alzheimer, Parkinson, outros tipos de demências estão relacionadas também a uma diminuição da vascularização. Nessas doenças neurodegenerativas, a gente tem uma contração das artérias. O hormônio estradiol faz uma dilatação das artérias. Por isso ele é benéfico”, elogia.

De acordo com a médica, o órgão que mais tem receptor de testosterona no corpo é o coração, inclusive na mulher. Quando a reposição é feita, por exemplo, usa-se uma dose entre 1 e 3 miligramas. Tassiana afirma que praticamente todas as pessoas estão aptas a usar grande parte dos hormônios. No entanto, para exemplificar, se a mulher usar uma dose muito alta de Dhea, por muito tempo, pode começar a nascer pelinhos na região do buço. “Algumas mulheres também fazem reposição de testosterona e têm alguns efeitos indesejáveis, como aumento do clitóris, engrossamento da voz. Precisa ter atenção nesses efeitos colaterais e sempre utilizar esses hormônios em doses ideais”, lembra.
Entretanto, a reposição de alguns hormônios pode ser contraindicada em determinados casos, como câncer com receptores de estrogênio e em mulheres fumantes. É fundamental realizar exames de rastreamento antes da reposição hormonal. Além disso, algumas doenças autoimunes também requerem precaução. No entanto, a reposição de melatonina, vitamina D, hormônios tireoidianos e cortisol pode ser considerada em casos de câncer e outras condições específicas.
Orientações
Pensando na segurança das pacientes, Tassi conta que gosta de iniciar o processo de desinflamação antes de entrar com os hormônios, já que a inflamação crônica pode causar alterações indesejadas nas células.
Ela reforça que a reposição hormonal pode ser feita para a vida toda, desde que a mulher queira. “Pode-se usar melatonina e vitamina D para o resto da vida. O cortisol também, enquanto houver benefício, por aumentar a energia, e da mesma forma, os hormônios esteroides”, orienta.
A médica chama atenção para algumas mulheres que fazem reposição por três, seis meses e param, não conseguindo resultado. Ela recomenda que ao decidir suplementar, o processo deve ser feito em longo prazo.
