Especialista explica conceito e compartilha dicas importantes sobre o assunto
O conceito sobre o bem-estar feminino varia significativamente em diferentes culturas, comunidades e contextos. Em muitas sociedades, houve progressos na abertura de diálogos acerca das questões relacionadas ao tema, incluindo saúde reprodutiva, igualdade de gênero, violência doméstica, acesso à educação e oportunidades econômicas. No entanto, de acordo com a ginecologista Juliana Risso, o assunto ainda pode ser considerado um tabu, influenciado por fatores culturais, religiosos, sociais ou políticos que perpetuam estigmas e normas de gênero restritivas. “A promoção do bem-estar feminino, muitas vezes, envolve a quebra de tabus, educação, conscientização e advocacia por direitos iguais. A luta pela igualdade de gênero é um processo contínuo. Diferentes partes do mundo estão em estágios diversos desse caminho. O diálogo aberto e inclusivo é fundamental para superar tabus e promover uma compreensão mais ampla e respeitosa do bem-estar das mulheres”, aponta.
A Organização Mundial de Saúde (OMS) diz que a saúde é o bem-estar físico, mental, social e não somente a ausência de doenças. A médica destaca pontos fundamentais para ratificar o posicionamento da entidade.
Abordagem holística da saúde: vai além do simples diagnóstico e tratamento de doenças. Isso significa considerar o estado físico, mental e social de uma pessoa para avaliar seu bem-estar geral.
Saúde mental: é parte essencial, pois as mulheres enfrentam desafios específicos em relação à saúde mental, como questões relacionadas ao estigma, pressões sociais (rotina estressante com afazeres domésticos, filhos, trabalho) e expectativas culturais. É preciso reconhecer a importância do tema, a necessidade de empatia e apoio psicológico e emocional.
Condições sociais: inclui fatores como o acesso às oportunidades educacionais, igualdade de gênero, cuidados de saúde adequados, condições sociais e econômicas favoráveis.
Prevenção e promoção da saúde: a abordagem preventiva e promotora de saúde é enfatizada, o que significa não apenas tratar doenças, mas promover estilos de vida saudáveis e criar condições sociais que permitam que as mulheres alcancem seu potencial máximo em todas as áreas da vida.
Empoderamento feminino: Ao reconhecer a importância do bem-estar social, a definição da OMS destaca a necessidade de abordar questões de igualdade de gênero e promover o empoderamento das mulheres sem discriminação.
Bem-estar e saúde emocional
“Essa capacidade de navegar pelas emoções contribui para um estado geral de bem-estar. Relações interpessoais saudáveis são fundamentais. A saúde emocional é um fator determinante na qualidade dessas relações. A habilidade de se conectar emocionalmente com os outros cria laços significativos e sustentáveis. A resiliência ou a capacidade de superar adversidades, é fortalecida pela saúde emocional. Pessoas emocionalmente saudáveis são mais capazes de enfrentar mudanças, lidar com estresses e se recuperar de situações difíceis”, ressalta a médica.
Segundo Juliana, o autoconhecimento — uma faceta da saúde emocional — envolve compreensão profunda de si mesmo, incluindo emoções, valores e necessidades pessoais. O desempenho cognitivo também é influenciado pela saúde emocional, pois contribui para maior clareza mental, concentração e habilidade para resolver problemas.
Ansiedade e depressão
Conforme o relatório Esgotadas da Think Olga, consultoria em equidade de gênero, sete em cada 10 pessoas diagnosticadas com depressão ou ansiedade no Brasil são mulheres. A médica vê com preocupação esses números. “Essa disparidade pode ser reflexo de desigualdades socioeconômicas e culturais que impactam as mulheres, incluindo salários mais baixos, discriminação de gênero, sobrecarga de trabalho doméstico e pressões sociais e culturais específicas”, comenta.
Risso fala que mulheres podem ser mais propensas a procurar assistência para questões de saúde mental, indicando uma disposição para buscar suporte. “No entanto, essa diferença também pode refletir o sub-relato de problemas de saúde mental por parte dos homens, possivelmente, devido ao estigma associado”, completa.
O bem-estar no consultório
A médica conta que na medicina integrativa, a abordagem ao atendimento das pacientes na busca pelo bem-estar é pautada na compreensão holística do indivíduo. Isso significa considerar não apenas os aspectos físicos, mas também os emocionais, mentais e sociais. “Minhas consultas demoram, no mínimo, uma hora, podendo levar duas horas ou mais para conseguir dar o acolhimento necessário para a paciente”, explica. Juliana diz que ao fazer o atendimento personalizado, a individualidade da paciente é valorizada através da comunicação empática, pois ao ouvir atentamente as preocupações e experiências de cada uma, cria-se um ambiente de confiança e compreensão mútua.

Risso enfatiza que, além do tratamento de sintomas, a prevenção de problemas de saúde, incentivo de escolhas de estilo de vida saudáveis e práticas preventivas são primordiais. “Utilizo terapias complementares, como ozonioterapia, soroterapia e indico outras, como acupuntura, ioga e meditação, que são integradas ao plano de tratamento para promover equilíbrio físico e emocional. Uma equipe multidisciplinar para melhor atender o paciente, conforme a necessidade, também pode acontecer com tratamento em conjunto com nutricionista, psicoterapeuta, educador físico, fisioterapeuta pélvica, entre outros. Essas práticas visam criar um ambiente de cuidado centrado na paciente, buscando não apenas a cura de sintomas físicos, mas também o bem-estar holístico”, finaliza.
