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    Covid19

    Inquérito sobre respiradores na pandemia, que tem ex-ministro de Lula como suspeito, volta ao STF

    meioesaudeBy meioesaude21 de Junho, 2026Sem comentários7 Mins Read
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    Há seis anos, 48 milhões de reais desviados na compra de respiradores para o Consórcio Nordeste na pandemia seguem desaparecidos. O ex-ministro Rui Costa é investigado no núcleo político da fraude, que envolveu uma empresa inexperiente. O dinheiro, transferido ao exterior e lobistas, mal foi recuperado, e a apuração enfrenta resistência.

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    Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.

    Há seis anos, a Polícia Federal tenta descobrir o destino de 48 milhões de reais que foram desviados dos cofres públicos durante a fase mais aguda da pandemia de covid-19. Em 2020, ainda não havia a vacina contra a doença e pacientes agonizavam nos hospitais por falta de remédios e equipamentos. Nessa época, o Consórcio Nordeste, que reúne os nove estados da região, foi cenário de um golpe. Alegando urgência, o órgão assinou um contrato sem licitação com uma empresa para a compra de 300 respiradores. O pagamento foi integralmente realizado, mas as máquinas nunca foram entregues. Desde então, um inquérito investiga os responsáveis pelo negócio e tenta, sem sucesso, recuperar o dinheiro perdido. Os bloqueios judiciais alcançaram menos de 4% do total dos recursos. O restante continua desaparecido. A suspeita é de que tudo, do início ao fim, fazia parte de uma grande tramoia. Nunca houve a intenção de comprar respirador algum. O que existiu foi um conluio entre políticos, empresas de fachada, estelionatários e lobistas, que negociavam lucros ainda maiores em transações futuras e tinham a garantia de que nada lhes aconteceria.


    NÚCLEO POLÍTICO - Parecer: Procuradoria-Geral da República manteve apuração sobre a participação do ex-governador da Bahia na fraude (./.)

    De fato, ninguém está preso, a investigação está paralisada e resgatar o dinheiro depois de tanto tempo é uma tarefa com chances mínimas de sucesso. VEJA teve acesso ao inquérito que tem o ex-ministro-chefe da Casa Civil Rui Costa (PT) como integrante do núcleo político que materializou a trama. Esse escândalo não é o único que atinge hoje os petistas da Bahia. São mais de 6 000 páginas de documentos, notas fiscais, depoimentos, laudos e extratos bancários. A Polícia Federal, por enquanto, sabe apenas como o dinheiro desapareceu. Dias depois de ser escolhida para fornecer os respiradores, a Hempcare, empresa cuja única experiência comercial era a venda de derivados de maconha, recebeu o pagamento integral, antes mesmo de assinar o contrato. Uma parte do dinheiro foi enviada ao exterior (12 milhões de reais), uma segunda parte (24 milhões), transferida à firma que supostamente fabricaria os equipamentos, e o restante (12 milhões) foi repassado a lobistas que se apresentavam como amigos e assessores de Rui Costa, que era o governador da Bahia na época.

    Mais recentemente, um detalhe que parecia irrelevante passou a chamar a atenção dos investigadores. Uma parcela do dinheiro que foi usada provavelmente para o pagamento de propina circulou por um fundo de investimento do grupo Reag. A polícia suspeita de que esse foi um dos canais que os golpistas usaram para ocultar o dinheiro obtido na venda dos respiradores. O dono da empresa, João Carlos Mansur, foi alvo de um mandado de busca no ano passado em uma operação que apura lavagem de dinheiro e fraudes no setor de combustíveis. Mansur também é investigado por envolvimento no escândalo do Banco Master. Ele teria usado a Reag para transações que deram ares de legalidade ao maior escândalo financeiro da história. É outra peça nesse quebra-cabeça aparentemente simples de montar, mas que revela mais uma vez a dificuldade da Justiça em avançar em casos de corrupção que têm figurões da política no rol de suspeitos.


    NÚCLEO FINANCEIRO - Mansur: fundo suspeito foi usado para ocultar dinheiro (REAG Investimentos/.)

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    No primeiro depoimento que prestou na investigação, Rui Costa disse que não falava inglês e, por isso, não desconfiou que a Hempcare não era do ramo de insumos hospitalares. Depois, afirmou que ele havia sido vítima de pessoas mal-intencionadas e tinha tomado a iniciativa de denunciar a tramoia. As versões não convenceram o Ministério Público, entre outras razões, porque depoimentos de figuras centrais na fraude relatam que a polícia baiana simplesmente se recusou a registrar as suspeitas contra o ex-ministro. Dona da Hempcare, Cristiana Prestes Taddeo fechou um acordo de delação premiada em agosto de 2021 e disse ter mencionado pelo menos três vezes o nome de Rui Costa ao longo de cinco dias de oitivas. Nenhuma referência ao petista, porém, ficou registrada nos autos. “Todas as vezes que eu mencionei o governador Rui Costa os delegados minimizaram a sua participação, dizendo que ele não tinha nenhum conhecimento sobre as tratativas do contrato”, afirmou a empresária.

    Em outro momento, ela relata que um advogado que iria representá-la no processo parecia fazer as vezes de um agente infiltrado, já que, em vez de defendê-la, teria revelado que ele também era advogado pessoal do então governador. Nos depoimentos, Cristiana ainda relata supostos maus-tratos no período em que ficou presa preventivamente na Bahia e acusa parte dos investigadores de atuarem como anteparo contra suspeitas que pudessem respingar em Costa. “Eu percebi que alguns deles estavam protegendo o governador. Por conta disso, passei a mencionar o nome do governador para sentir a reação dos delegados e perceber aqueles que tinham uma postura protetiva com relação a ele ao descartarem, desde o início, que ele tivesse envolvimento com qualquer irregularidade”, afirmou.


    RETORNO - Apuração: inquérito voltou ao Supremo e está sob a responsabilidade do ministro Flávio Dino (Antonio Augusto/STF)

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    Temendo ser alvo de represálias por colaborar com a Justiça, Cristiana Taddeo pediu para ser incluída no programa de proteção à testemunha. Desde 2020, quando o negócio dos respiradores desandou, ela alega receber ameaças. VEJA teve acesso à íntegra da delação da empresária e de seu então marido e parceiro de negócios, Luiz Henrique Jovino. Além de detalhar os meandros da fraude dos ventiladores, ela revelou que a operação de compra poderia ter sido um golpe ainda maior. O plano da equipe de Rui Costa, disse, era adquirir até 2 000 aparelhos, negócio que poderia superar os 300 milhões de reais. O contrato de compra da primeira leva de equipamentos, assinado digitalmente por Rui Costa, foi redigido de forma apressada, deixando de incluir cláusulas elementares de proteção contra atrasos ou inadimplência.


    EM DELAÇÃO - Taddeo: polícia não quis registrar suspeitas contra o petista (Rogério Albuquerque/.)

    Em seis anos, o processo que assombra o ex-ministro de Lula passou pela Justiça da Bahia, pelo Superior Tribunal de Justiça (STJ), pelo STF, voltou à Justiça baiana, depois mais uma vez ao STJ e ao STF, pela terceira vez ao STJ e, por fim, foi encaminhado há duas semanas ao gabinete do ministro Flávio Dino. Com o caso de volta à mais alta instância judicial do país, a PGR quer investigar agora se Rui, que é pré-candidato ao Senado pela Bahia, participou mesmo da trama e se pode ter se beneficiado da fraude. “Rui Costa é investigado no núcleo político da contratação. Deliberou pela assinatura do contrato cuja redação era prejudicial ao interesse público e presidia o Consórcio Nordeste”, diz o parecer do Ministério Público, que pede o fim do vaivém do inquérito.

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    CRUELDADE - Pandemia: golpe aconteceu enquanto milhares de pessoas agonizavam por falta de respiradores (Lalo de Almeida/Folhapress/.)

    Quando as investigações sobre os respiradores tiveram um pequeno avanço, anos atrás, o então chefe da Casa Civil disse ao presidente que estava sendo alvo de perseguição da Polícia Federal. Na ocasião, Flávio Dino, então ministro da Justiça, era o superior hierárquico da PF. Quando o escândalo tomou conta do noticiário em plena pandemia, com o relato da delatora nos depoimentos da colaboração premiada, coincidentemente também era Flávio Dino, na condição de governador do Maranhão, o mais revoltado com o desfalque dado contra o Consórcio Nordeste. Ex-auxiliares de Lula, Dino e Rui Costa nunca se bicaram. Os dois agora vão se reencontrar nos autos do processo que alguém um dia garantiu que não daria em nada para ninguém.

    Publicado em VEJA de 19 de junho de 2026, edição nº 3000



    FONTE: Meio e Saúde

    Bastidores de Brasília como Covid-19 exministro Flávio Dino inquérito Justiça Luiz Inácio Lula da Silva Lula pandemia respiradores revista Rui Costa sobre STF suspeito tem volta
    meioesaude
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