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O Ministério da Saúde formalizou pedido à Conitec para incorporar as “canetas emagrecedoras” no SUS, focando em pacientes com obesidade grave e doenças associadas. A iniciativa, respaldada pela OMS, visa oferecer tratamento eficaz para uma doença crônica, não um “milagre estético”. Redução de custos e um projeto-piloto em andamento reforçam a proposta.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
O Ministério da Saúde anunciou nesta quinta-feira, 24, que formalizou um pedido para análise da incorporação das canetas antiobesidade, mais conhecidas como “canetas emagrecedoras”, na rede pública de saúde. O documento foi enviado para a Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) e prevê que seja avaliada a oferta do medicamento para pessoas que vivem com obesidade.
Na semana passada, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) informou que pacientes do SUS com obesidade receberiam o tratamento mediante prescrição médica, mas não informou prazos.
Na ocasião, o ministro da Saúde, Alexandre Padilha, explicou que a oferta do medicamento no SUS terá como foco os pacientes que mais terão benefícios com o tratamento: pessoas com obesidade grave, doenças associadas, caso de problemas cardiovasculares, indicação para cirurgia bariátrica e mulheres que tiveram câncer de mama (para avaliar se a medicação pode reduzir o risco de o tumor voltar).
Padilha enfatizou ainda que o objetivo não é promover um “milagre estético”, mas oferecer um tratamento eficaz para uma doença crônica.
O ofício enviado pelo Ministério da Saúde apresentou como argumento a posição da Organização Mundial da Saúde (OMS) sobre o acesso equitativo aos tratamentos com as terapias à base de agonistas do GLP-1, caso da liraglutida, semaglutida e tirzepatida.
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“A iniciativa tem respaldo na primeira diretriz da OMS sobre o uso, em escala populacional, de terapias baseadas em GLP-1 para o tratamento da obesidade a longo prazo, publicada no final de 2025”, disse, em nota, a pasta. “A organização entende que, sem políticas deliberadas, o acesso a essas terapias pode exacerbar as disparidades de saúde existentes. E apela para ações urgentes em relação à produção, à acessibilidade e à prontidão dos sistemas de saúde globais.”
Segundo o ministério, a prevalência da obesidade no Brasil passou de 11,8%, em 2006, para 25,7%, em 2024.
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Canetas emagrecedoras e o futuro da luta contra obesidade
Canetas mais baratas
Outro argumento apresentado pelo ministério foi a queda do preço das canetas antiobesidade. De acordo com a pasta, houve uma redução de 70% no valor em menos de um ano em função do aumento da concorrência, movimento resultante das aprovações de novos medicamentos a partir da queda da patente da semaglutida, ocorrida em março.
Por isso, a pasta pediu a avaliação apenas das medicações à base de liraglutida e semaglutida, que não são protegidas por patente.
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“Até o momento, 25 canetas emagrecedoras já foram registradas no país, sendo 14 delas em 2026, fruto direto da estratégia de fomento do Ministério e da Anvisa, incluindo versões produzidas nacionalmente e medicamentos genéricos. E novos registros ainda são esperados”, afirmou.
Projeto-piloto com caneta emagrecedora
O uso da medicação no SUS ocorre ainda no projeto-piloto de um estudo que avalia custo-efetividade e impactos para a saúde do uso de semaglutida em pacientes da rede pública de saúde.
Batizado como Real-Bari, o estudo tem previsão de durar dois anos e vai acompanhar 250 pacientes com obesidade grave acompanhados pelo Grupo Hospitalar Conceição (GHC), localizado em Porto Alegre (RS).
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Os participantes do estudo já são pacientes do hospital e foram selecionados após a verificação de critérios que vão além da obesidade grave: os voluntários precisavam ter alguma comorbidade, como problemas cardíacos, indicação para cirurgia bariátrica, diagnóstico estabelecido há mais de um ano e histórico de falha no tratamento convencional – alimentação balanceada e prática de atividade física – por, ao menos, dois meses.
Esse perfil, de acordo com a pasta, representa 91% dos pacientes que apresentam a forma grave da doença, a obesidade grau 3. Neste caso, o índice de massa corporal (IMC) está superior a 40 ou acima de 35 com doenças relacionadas.
Etapas para oferta no SUS
O aval da Comissão Nacional de Incorporação de Tecnologias no Sistema Único de Saúde (Conitec) é o primeiro passo para que a caneta de semaglutida chegue aos pacientes do sistema público.
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A Novo Nordisk, por exemplo, já submeteu o medicamento à comissão e teve o pedido negado. Ao dar parecer desfavorável à incorporação no ano passado, a Conitec considerou o impacto orçamentário de mais de R$ 8 bilhões.
Em junho, um novo pedido foi feito e a empresa apresentou um desconto de 59% no medicamento para o governo. Foram delimitados os pacientes aptos a fazer o tratamento: pessoas com mais de 45 anos que vivem com obesidade, não têm diagnóstico de diabetes e já sofreram infarto.
Mesmo com o parecer da Conitec, há outras etapas que devem ser cumpridas, caso da definição dos Protocolos Clínicos e Diretrizes Terapêuticas (PCDT), que estabelecem como a medicação deverá ser administrada. Além disso, o Ministério da Saúde ainda tem um prazo de 180 dias para efetivar a oferta.
