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    Mutações de vírus Oropouche podem explicar casos de mortes e microcefalia

    meioesaudeBy meioesaude31 de Julho, 2024Sem comentários4 Mins Read
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    Pesquisadores da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) e do laboratório Hermes Pardini/Grupo Fleury constataram que o vírus causador da febre Oropouche passou por mutações e que isso pode justificar as primeiras mortes pela doença na história mundial, registradas no Brasil, e os casos em investigação de microcefalia e morte fetal. Segundo o grupo, o patógeno sofreu um rearranjo genético com outros dois microrganismos que circulam na Amazônia e têm potencial para infectar humanos: o vírus Iquito e o vírus de Perdões (PEDV). Novos estudos serão realizados para estabelecer a relação ou não com os desfechos graves da doença relatados nos últimos dias.

    Para o estudo, os cientistas avançaram em um estudo da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), que avaliou amostras da região Norte do país no ano passado e detectou que o vírus mutou. A nova pesquisa comparou amostras coletadas em Santa Catarina, Bahia e Espírito Santo e as comparou com sequências genéticas obtidas nos estados do Amazonas, Acre e Rondônia.

    “Outros desdobramentos da pesquisa podem confirmar se os casos mais graves da doença estão relacionados a essas mudanças genéticas”, declarou, em comunicado, Renato Santana, professor do Laboratório de Biologia Integrativa da UFMG.

    Embora seja cedo para fazer qualquer tipo de associação, mutações podem ajudar o vírus a se propagar com mais facilidade para outras partes do país e, como em outros vírus, levar a casos mais graves.

    Necessidade de aprofundar a investigação

    José Geraldo Ribeiro, epidemiologista do Grupo Fleury, afirma que o levantamento é importante para compreensão da doença e que a ampliação da testagem é um fator que contribui para os eventos que estão sendo apurados em meio ao avanço da infecção no país.

    “Por isso a importância da ampliação da testagem para aprofundar essa investigação no Brasil”, afirma.

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    Segundo o Ministério da Saúde, a testagem foi ampliada para todo o Brasil no ano passado e, neste ano, foram contratados 380 mil testes adicionais para o diagnóstico laboratorial da doença.

    Mortes por febre Oropouche

    Na semana passada, o Ministério da Saúde emitiu um comunicado confirmando a morte de duas mulheres do interior da Bahia que apresentaram sintomas de dengue grave, mas tinham sido infectadas por febre Oropouche. Elas tinham menos de 30 anos e não apresentavam comorbidades (doenças prévias). “Até o momento, não havia relato na literatura científica mundial sobre a ocorrência de óbito pela doença”, informou a pasta.

    Na ocasião, a pasta informou que uma morte registrada em Santa Catarina permanecia em investigação, mas um óbito notificado no Maranhão por suspeita de relação com a infecção tinha sido descartado.

    Inicialmente, os casos se concentravam na região Norte do país, principalmente no Amazonas e em Rondônia. Depois, se espalharam para outros estados. A doença é monitorada pela Sala Nacional de Arboviroses, que acompanha outras infecções causadas por mosquitos, e foram registrados  7.236 casos de febre Oropouche em 2024.

    Casos de transmissão da mãe para o bebê

    O Ministério da Saúde investiga ainda seis casos de transmissão da mãe para o bebê da doença que resultaram em episódios de morte fetal, aborto espontâneo e três casos de microcefalia, malformação que causa a diminuição do perímetro da cabeça dos bebês. Foram três episódios em Pernambuco, um na Bahia e outro no Acre.

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    “As análises estão sendo feitas pelas secretarias estaduais de saúde e especialistas, com o acompanhamento do Ministério da Saúde, para concluir se há relação entre a febre Oropouche e casos de malformação ou abortamento”, disse, em nota, a pasta.

    Entenda a febre Oropouche

    A febre Oropouche é causada pelo vírus OROV e é transmitido pelo Culicoides paraenses, mais conhecido como maruim ou mosquito-pólvora. Em regiões urbanas, o Culex quinquefasciatus, o pernilongo visto comumente nas residências, é um dos vetores.

    Detectado pela primeira vez em Trinidad e Tobago no ano de 1955, tem causado surtos esporádicos no Brasil, Equador, Guiana Francesa, Panamá e Peru. No Brasil, o vírus foi isolado pela primeira vez em 1960 por meio de uma amostra de sangue de uma bicho-preguiça capturada durante a construção da rodovia Belém-Brasília.

    Os sintomas da doença são febre de início súbito, dor de cabeça, rigidez articular e dores. Alguns pacientes manifestam fotofobia (intolerância visual à luz), náuseas e vômitos persistentes que podem durar de cinco a sete dias. Em casos mais graves, que são raros, pode ocorrer a evolução para meningite.



    FONTE: Meio e Saúde

    casos explicar microcefalia mortes Mutações Oropouche podem vírus
    meioesaude
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