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    Home»Diabetes»‘Obesidade não tem bala de prata, mas estamos próximos da remissão’
    Diabetes

    ‘Obesidade não tem bala de prata, mas estamos próximos da remissão’

    meioesaudeBy meioesaude21 de Novembro, 2023Sem comentários6 Mins Read
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    Nos últimos dois anos, a discussão sobre como conter o avanço da epidemia de obesidade no mundo ganhou um arsenal de promissores medicamentos, com potencial de levar a perdas de peso superiores a 20%, e foi retomado o debate sobre a importância de tratar a condição como uma doença que não deve ser estigmatizada, mas tratada com as opções mais atualizadas para oferecer qualidade de vida aos pacientes. Por outro lado, houve o uso desenfreado e sem indicação dos remédios que ficaram erroneamente conhecidos como “canetas emagrecedoras”, febre amplificada por celebridades.

    Neste cenário de pessoas ávidas por Ozempic, Wegovy, Mounjaro e pelos resultados de testes com novas drogas, um dos especialistas mais renomados do Brasil, referência em estudos sobre o tema, vai assumir no próximo ano a presidência da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO). Ricardo Cohen, coordenador do Centro Especializado em Obesidade e Diabetes do Hospital Alemão Oswaldo Cruz, conversou com VEJA sobre a missão de presidir a entidade global, os impactos dos tratamentos para a doença e no futuro da cirurgia bariátrica.

    “A obesidade é uma doença geneticamente ativa. As pessoas precisam entender que não são drogas nem cirurgias para emagrecer, mas para ganho de vida e de saúde”, afirma. Leia os principais trechos da entrevista.

    Estamos acompanhando a febre do Ozempic e demais medicações para obesidade, que foram inicialmente indicadas para diabetes tipo 2. O que mudou a partir do advento dessas drogas?
    De onde veio a ideia de que tratar a obesidade é tratar diabetes? A perda de peso era algo deixado de lado no passado. O paciente com diabetes recebia prescrição de metformina e orientação para alterar o estilo de vida. Só que a obesidade não é fator de risco, porque não se trata fator de risco. A obesidade é uma doença que traz consigo outros problemas que são muito graves.

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    O senhor foi eleito presidente da Federação Internacional de Cirurgia da Obesidade e Distúrbios Metabólicos (IFSO). Quais serão as suas bandeiras?
    Nessa gestão, vejo que a gente precisa mudar o foco de tratamento para obesidade e diabetes. Pacientes são o foco, mas pagadores, públicos e privados, e entidades médicas precisam entender que obesidade não tem fórmula mágica. Tudo faz parte do tratamento: dieta, atividade física e medicações para melhorar o desfecho. E é fundamental promover a educação de todos os envolvidos nisso com base na divisão de obesidade clínica, quando há disfunção renal, disfunção de mobilidade, gordura no fígado, e a subclínica, que precisa monitorar, mas o acompanhamento ocorre sem intervenção agressiva. Muita gente acha que obesidade é escolha, falha de caráter, mas é uma doença biológica com resposta biológica.

    Como ocorreu a escolha do seu nome e como funciona o trabalho?
    A entidade abrange cinco regiões do mundo, vai tendo um rodízio e chegou a vez da América Latina, de onde saiu meu nome. Como presidente eleito, tenho direito a voto e opiniões. O mandato começa em agosto de 2024, mas o trabalho já começou, porque sou o supervisor dos comitês de educação da federação.

    Qual sua avaliação sobre como o tema da obesidade é tratado neste momento no Brasil?
    É um momento importante, porque nunca se falou tanto de obesidade e diabetes. A consciência sobre o que chamamos de diabesidade está cada vez maior na cabeça das pessoas. Além disso, a população está aprendendo a ter menos preconceito e a gente está vivendo o momento de tirar a culpa dos pacientes. Mas também precisamos de conscientização sobre o uso dos medicamentos, porque temos celebridades querendo perder 3 kg para entrar em um vestido e pessoas que vão para Dubai para comprar tirzepatida e perder 10 kg em um mês.

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    A edição deste ano do Atlas Mundial da Obesidade apontou que, em 2035, teremos quase 2 bilhões de pessoas vivendo com obesidade, o que corresponde a 1 em cada 4 pessoas no mundo. O senhor acredita que é possível evitar essa situação por causa dos novos tratamentos?
    Temos de dividir as ações em prevenção, como modificação dietética e exercício físico, e tratamentos. Se a pessoa tem genética para obesidade e diabetes, pode trocar sua forma de se alimentar e a chance de prevenir as doenças é muito grande, mas não adianta ter estratégia de prevenção sem o tratamento. As novas drogas têm vantagens, no entanto, têm a desvantagem da dificuldade de acesso por escassez e custo. Como é uma doença crônica e progressiva, a medicação precisa ser mantida.

    O custo do tratamento é citado como um importante gargalo para a incorporação desses medicamentos pelos governos…
    Eles vêm para mudar o panorama, porque as drogas são caras, mas quanto custa lidar com amputações, diálise, colocação de stent coronariano e demais quadros relacionados com a obesidade? Se o gestor de saúde pensar em longo prazo, vai ver que essas opções são custo-efetivas. É preciso entender a complexidade da obesidade e que os tratamentos são seguros e não é uma saída fácil nem a última saída. A obesidade é uma doença geneticamente ativa. As pessoas precisam entender que não são drogas nem cirurgias para emagrecer, mas para ganho de vida e de saúde. Propus que a gente comece com conversas com a Abeso (Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica) e a SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia) para chegar nos setores públicos e privados. As farmacêuticas estão dispostas a isso.  É o objetivo de todo mundo e pensam muito parecido com a gente na América Latina.

    Falando em cirurgia, com semaglutida (Ozempic e Wegovy), tirzepatida (Mounjaro) e, talvez, retatrutida, com índices de perda de peso perto dos 30%, como na bariátrica, o senhor acredita que esse procedimento pode não ser mais indicado no futuro?
    A gente tem a genética da obesidade e o cenário favorece a obesidade. A vida é obesogênica. A obesidade não tem bala de prata, mas estamos cada vez mais próximos da remissão. A cirurgia bariátrica não vai acabar, porque vamos operar os pacientes que não respondem às medicações.

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    FONTE: Meio e Saúde

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    meioesaude
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