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Uma pesquisa preliminar coloca frente a frente os novos comprimidos para emagrecer: Wegovy pill (semaglutida) e Foundayo (orforglipron). Os primeiros resultados apontam para uma maior perda de peso com Wegovy e menos efeitos adversos. Entenda o que esse comparativo indireto revela sobre a nova era de combate à obesidade.
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Resumo gerado por ferramenta de IA treinada pela redação da Editora Abril.
Mal a pílula de Wegovy chegou ao mercado americano e os comprimidos de orforglipron ganharam aval para comercialização nos Estados Unidos, uma pesquisa esboça o primeiro comparativo entre as duas novas medicações de uso oral e diário para o tratamento do sobrepeso e da obesidade.
De um lado, a última versão da semaglutida desenvolvida pela dinamarquesa Novo Nordisk, na dosagem de 25 mg. Do outro, o orforglipron, batizado de Foundayo, criado pela americana Eli Lilly e ainda não lançado no mercado global.
O primeiro duelo entre os dois principais representantes da nova geração de remédios para emagrecer já apresentou resultados parciais – os dados serão apresentados no congresso da Associação Médica de Obesidade dos Estados Unidos.
É importante adiantar: não se trata de um estudo que comparou ambas as medicações diretamente. O trabalho utilizou, na verdade, informações de dois ensaios clínicos diferentes – um com a semaglutida oral na dosagem de 25 mg e outro com o orforglipron com 36 mg – para realizar um embate indireto.
Os resultados da análise
O estudo, denominado ORION, concluiu que a Wegovy pill, da Novo Nordisk, levou a melhor na perda de peso. Houve uma redução média de massa corporal cerca de 3 pontos percentuais maior que a do orforglipron.
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Fora isso, os cientistas constataram que o risco de interrupção do tratamento devido a efeitos adversos, como náusea e incômodos digestivos, foi quase quatro vezes maior entre os usuários do Foundayo.
“Os resultados desse cruzamento estatístico entre estudos sugerem que a semaglutida oral teve desempenho melhor em eficácia e tolerabilidade”, comenta o endocrinologista Carlos Eduardo Barra Couri, colunista de VEJA SAÚDE.
Mas cabe recurso. Ou melhor, cabem ponderações. “Como os dados vieram de pesquisas diferentes, feitas com protocolos distintos, os próprios autores reconhecem que fatores não medidos podem ter influenciado os resultados”, diz Couri. Esse comparativo, portanto, não substitui uma pesquisa que avalie, cabeça a cabeça, ambos os remédios.
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Uma das vantagens estipuladas para o orforglipron seria a possibilidade de ingerir o comprimido sem a necessidade de jejum e restrição de volume de água – algo que acontece quando se toma a Wegovy pill. Mas um levantamento on-line da Novo Nordisk indica que, para 65% das pessoas com obesidade que responderam à pesquisa, a orientação não atrapalharia o dia a dia.
A rigor, é difícil estabelecer vencedores nesse tipo de confronto. Na verdade, quem vence é o paciente, que terá um leque de opções terapêuticas maior, com alternativas que podem se adequar melhor ao seu organismo e à sua rotina.
“A chegada de novos comprimidos para obesidade amplia nossos recursos, mas a escolha do tratamento não deve se apoiar só no potencial de emagrecimento. Efeitos colaterais, modo de uso, histórico de saúde e acompanhamento médico continuam decisivos”, ressalta Couri, que coordena o Endodebate, congresso nacional em que essa discussão também vai se fazer presente.
Tanto Wegovy pill, da Novo Nordisk, como Foundayo, da Lilly, estão sob avaliação da Anvisa. Portanto, ainda não há uma data para o lançamento de ambas no mercado brasileiro.
