O tumor maligno mais incidente no Brasil é o de pele não melanoma (31,3% do total de casos), seguido pelos de mama feminino (10,5%), próstata (10,2%), cólon e reto (6,5%), pulmão (4,6%) e estômago (3,1%)
Quatro de fevereiro é o Dia Mundial do Câncer. A data é uma iniciativa da União Internacional para o Controle do Câncer (UICC) com o apoio da Organização Mundial da Saúde (OMS). O objetivo é a conscientização internacional no calendário global de saúde, que propõe ações de educação e de diálogo com governos. O último levantamento da entidade, feito em 2022, mostrou que, anualmente, mais de 10 milhões de pessoas morrem por causa da doença. O Instituto Nacional do Câncer (Inca) projeta que são esperados 704 mil casos novos de câncer no Brasil para cada ano do triênio 2023–2025. Essa estimativa é a principal ferramenta de planejamento e gestão na área oncológica no país, fornecendo informações fundamentais para a definição de políticas públicas.
Segundo a oncologista Maria Cristina Figueroa Magalhães (CRM-PR 22.643 e RQE 19.751), os principais desafios na luta contra o câncer englobam o diagnóstico tardio, já que várias vezes a doença é diagnosticada em estágios avançados devido à falta de acesso a exames, informações ou programas de rastreamento. A médica também lembra haver disparidades regionais e socioeconômicas que dificultam o acesso às terapias modernas, incluindo medicamentos e procedimentos de alta complexidade, provocando a desigualdade no acesso aos tratamentos. Além disso, ela acrescenta:
Educação e conscientização: muitos ainda têm informações insuficientes sobre fatores de risco, sinais e sintomas iniciais da doença.
Apoio psicológico e social: pacientes e familiares enfrentam impactos emocionais e financeiros, muitas vezes sem suporte adequado.
Prevenção insuficiente: a adoção de estilo de vida saudável e o controle de fatores de risco (tabagismo, obesidade, infecções virais) ainda não são prioridades em muitas comunidades.
Pesquisa e inovação: apesar dos avanços, novos tratamentos precisam ser desenvolvidos para neoplasias resistentes e casos raros.
Diagnóstico precoce
Maria Cristina aponta que, em estágios iniciais, intervenções como cirurgia, radioterapia ou quimioterapia apresentam maior sucesso, e os tratamentos para tumores precoces tendem a ser menos agressivos e menos invasivos. Já os tratamentos de neoplasias avançadas são mais complexos e onerosos para o sistema de saúde. “Pacientes tratados precocemente podem evitar sequelas graves e retomar suas atividades normais mais rapidamente”, pontua.

A especialista comenta que muitos tipos de câncer, como mama, próstata e cólon, apresentam taxas de cura superiores a 90% quando detectados precocemente. No entanto, ela salienta que o caráter sistêmico do câncer, ou seja, a alteração detectada em um órgão, pode ter gerado repercussões no corpo do paciente. Desta forma, quanto antes ocorrer a detecção, menor a repercussão sistêmica e o risco de as células do câncer já estarem “passeando” pelo organismo do paciente.
Inovações nos tratamentos contra o câncer
Terapias-alvo: medicamentos que atacam especificamente alterações genéticas ou moleculares presentes no tumor, trazendo a possibilidade de um tratamento mais personalizado, eficaz e com menores toxicidades.
Imunoterapia: terapias que estimulam o sistema imunológico a reconhecer e combater as células tumorais, com resultados promissores em vários tipos de câncer.
Medicina de precisão: uso de biomarcadores e sequenciamento genético para personalizar o tratamento de acordo com as características individuais do tumor e do paciente.
Terapias celulares: avanços no uso de CAR-T cells, que reprogramam células do sistema imunológico para combater o câncer.
Tecnologias de radioterapia avançada: equipamentos que entregam doses de radiação mais precisas e eficazes, reduzindo danos aos tecidos saudáveis.
Combinações terapêuticas: integração de diferentes abordagens, como imunoterapia e terapias-alvo, tem mostrado potencial em casos antes considerados resistentes.
Mensagem
Conforme a oncologista, é fundamental a união entre a sociedade, os profissionais de saúde e os gestores públicos para enfrentar essa doença com mais equidade e eficiência. Ela reforça que cada indivíduo pode fazer sua parte ao adotar hábitos saudáveis, realizar exames de rastreamento e se informar sobre prevenção.
A especialista observa que a oncologia avançou significativamente e, cada vez mais, há tratamentos personalizados que salvam vidas e promovem qualidade de vida. Maria Cristina destaca que a luta contra o câncer é coletiva e deve ser permeada pela empatia, ciência e pelo acolhimento. “Como inspiração, lembro os versos de Guimarães Rosa, em Grande
Sertão: Veredas: ‘o correr da vida embrulha tudo. A vida é assim: esquenta e esfria, aperta e daí afrouxa, sossega e depois desinquieta. O que ela quer da gente é coragem’. Que tenhamos coragem para enfrentar os desafios e esperança para abraçar as possibilidades de cura e renovação. Juntos, podemos transformar o amanhã”, finaliza.
