É uma técnica cirúrgica segura e eficaz, cujas principais indicações são tratamentos de cânceres de endométrio, próstata, colorretal, fígado e rim
O Sistema Único de Saúde (SUS) passa a oferecer a videolaparoscopia para o tratamento oncológico. A medida foi oficializada pela publicação da Portaria GM/MS Nº 5.776, em 5/12/2024, no Diário Oficial da União. Segundo a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO), o tratamento cirúrgico é considerado a abordagem padrão-ouro para pacientes oncológicos, principalmente naqueles diagnosticados em estágios iniciais. Para realizá-lo, existem diferentes técnicas, tanto convencionais (abertas), como minimamente invasivas (provocam menos sangramento e dor pós-operatória, bem como diminuem o risco de complicações, favorecendo a recuperação e o retorno à rotina). Ademais, a questão estética também é beneficiada, visto que as cicatrizes resultantes são pequenas e discretas, contribuindo para a autoestima dos pacientes.
A entidade ainda destaca que a cirurgia oncológica por videolaparoscopia se encaixa, justamente, entre as técnicas minimamente invasivas. Nesse tipo de procedimento, um laparoscópio (tubo fino e flexível, equipado com instrumentos cirúrgicos e uma microcâmera) é inserido por meio de pequenos furos na região acometida. Dessa forma, permite visualizar as estruturas internas em tempo real, para remover tumores e, se necessário, gânglios linfáticos próximos. Além da videolaparoscopia, a instituição lembra que a Portaria GM/MS Nº 5.776 incorporou ao SUS outros seis procedimentos cirúrgicos oncológicos minimamente invasivos: gastrectomia (remoção do estômago), colectomia (intestino grosso), esofagogastrectomia (esôfago e parte do estômago), histerectomia (útero), pancreatectomia (pâncreas) do corpo caudal e laparotomia (procedimento cirúrgico que consiste em, a partir do acesso à cavidade abdominal, examinar ou tratar órgãos internos).

De acordo com a cirurgiã-oncologista Patrícia Câmara (CRM-SC 13.909 e RQE 10.756), a conquista é resultado de anos de esforço coletivo, especialmente da SBCO, que há cinco anos luta pela inclusão dessa técnica no SUS. “A mudança vai beneficiar milhares de pacientes, proporcionando mais qualidade de vida e eficiência no tratamento oncológico. Tenho muito orgulho em ter feito parte dessa luta junto aos meus colegas da SBCO. A inclusão da videolaparoscopia no SUS é um grande passo para humanizar o cuidado oncológico e ampliar o acesso a técnicas modernas, impactando positivamente o sistema público de saúde e a vida de pacientes e familiares”, ressalta.
