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    Home»Últimas»Nova vacina para câncer potencializa resposta imune contra tumor cerebral | Meio e Saúde Brasil
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    Nova vacina para câncer potencializa resposta imune contra tumor cerebral | Meio e Saúde Brasil

    meioesaudeBy meioesaude8 de Maio, 2024Sem comentários5 Mins Read
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    CNN Brasil
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    Um pequeno ensaio clínico mostrou que uma vacina de mRNA (RNA mensageiro) contra câncer, desenvolvida na Universidade da Flórida, nos Estados Unidos, potencializou a resposta do sistema imunológico para atacar o glioblastoma, o tipo mais agressivo e letal de tumor cerebral. Os resultados do estudo foram publicados na revista científica Cell, no dia 1º de maio.

    O ensaio foi realizado com quatro pacientes adultos e obteve resultados que reforçam as descobertas de outro estudo feito com 10 pacientes caninos que sofrem com tumores cerebrais de ocorrência natural, bem como resultados obtidos em pesquisas feitas com ratos. A descoberta agora será testada em um ensaio clínico pediátrico de Fase 1 para câncer no cérebro.

    A vacina utilizada na pesquisa usa mRNA e nanopartículas lipídicas — tecnologia semelhante às vacinas contra Covid-19. O diferencial deste imunizante para câncer é a sua personalização: na composição, são usadas células tumorais do próprio paciente para criar uma vacina personalizada e um mecanismo de entrega complexo recém-projetado.

    “Em vez de injetarmos partículas únicas, estamos injetando aglomerados de partículas que se envolvem como cebolas, como um saco cheio de cebolas”, explica Elias Sayour, oncologista pediátrico da UF Health e autor sênior do estudo. “Arazão pela qual fizemos isso, no contexto do câncer, é que esses aglomerados alertam o sistema imunológico de uma forma muito mais profunda do que as partículas isoladas.”

    Segundo Sayour, uma das descobertas “mais impressionantes” do estudo é a rapidez com que a vacina, administrada por via intravenosa, estimulou uma resposta vigorosa do sistema imunológico para rejeitar o tumor. “Em menos de 48 horas, pudemos ver esses tumores mudando do que chamamos de ‘frio’ – resfriado imunológico, muito poucas células imunológicas, resposta imunológica muito silenciada – para uma resposta imunológica ‘quente’ e muito ativa”, afirma.

    O que é glioblastoma e como o estudo foi feito?

    O glioblastoma é um tipo de tumor maligno que acomete o sistema nervoso central e é um dos mais fatais, causando a maioria das mortes entre os pacientes com tumor cerebral. Ele pode ocorrer no cérebro ou na medula espinhal, sendo altamente invasivo. A sobrevida média para esse tumor é de cerca de 15 meses. O tratamento atual envolve cirurgia, radioterapia e quimioterapia.

    O novo estudo faz parte de um conjunto de pesquisas realizadas nos últimos sete anos que envolveu ensaios pré-clínicos com ratos e, posteriormente, um ensaio clínico com 10 cães de estimação que desenvolveram câncer cerebral terminal e não tinham outras opções de tratamento — esse segundo ensaio foi conduzido com a aprovação dos tutores dos cachorros e em colaboração com a Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Flórida.

    De acordo com Sheila Carrera-Justiz, neurologista veterinária da Faculdade de Medicina Veterinária da Universidade da Flórida, os cães podem ser modelos para o estudo por serem a única outra espécie que desenvolve tumores cerebrais espontâneos com alguma frequência.

    Depois do estudo feito com cães, a equipe de pesquisadores avançou para uma pesquisa aprovada pela FDA (Food and Drug Administration), agência reguladora dos Estados Unidos, realizada com quatro adultos com glioblastoma. O objetivo é garantir a segurança e a viabilidade do teste antes de iniciarem um ensaio maior.

    Nessa coorte de quatro pacientes, o RNA foi extraído do tumor removido cirurgicamente de cada paciente e, em seguida, o RNA mensageiro — presente nas células tumorais — foi ampliado e embrulhado em um conjunto de nanopartículas lipídicas biocompatíveis, para fazer com que as células tumorais “pareçam” um vírus perigoso quando reinjetadas na corrente sanguínea, provocando uma resposta imunológica.

    “A demonstração de que fazer uma vacina de mRNA contra o câncer desta forma gera respostas semelhantes e fortes em camundongos, cães de estimação que desenvolveram câncer espontaneamente e pacientes humanos com câncer no cérebro é uma descoberta realmente importante, porque, muitas vezes, não sabemos quão bem o teste pré-clínico em animais se traduzirá em respostas semelhantes em pacientes humanos”, afirma Duane Mitchell, diretor do Instituto de Ciência Clínica e Translacional e do Programa de Imunoterapia para Tumores Cerebrais, ambos da Universidade da Flórida, e coautor do artigo.

    “Embora as vacinas e terapêuticas de mRNA sejam certamente um tema quente desde a pandemia de Covid-19, essa é uma forma nova e única de entregar o mRNA para gerar estas respostas imunitárias realmente significativas e rápidas que estamos a observar em animais e humanos”, completa.

    Resultados do estudo

    De acordo com os pesquisadores, os pacientes que participaram do estudo viveram livres do tumor — ou sobreviveram a ele — por mais tempo do que o esperado. Os animais de estimação viveram uma média de 139 dias, em comparação com a sobrevida média de 30 a 60 dias típica para cachorros com a doença.

    No entanto, ainda é muito cedo para avaliar os efeitos clínicos da vacina. O próximo passo é um ensaio clínico de Fase 1 expandido para incluir até 24 pacientes adultos e pediátricos para validar os resultados do atual estudo, através do apoio da FDA e da fundação CureSearch for Children’s Cancer. Assim que a dose ideal e segura for confirmada, cerca de 25 crianças participarão da Fase 2.

    “Tenho esperança de que esse possa ser um novo paradigma na forma como tratamos os pacientes, uma nova tecnologia de plataforma sobre como podemos modular o sistema imunológico”, afirma Sayour. “Estou esperançoso de como isso poderia agora criar sinergia com outras imunoterapias e, talvez, desbloquear essas imunoterapias. Mostrámos neste artigo que é realmente possível ter sinergia com outros tipos de imunoterapias, por isso talvez agora possamos ter uma abordagem combinada de imunoterapia”, completa.

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    FONTE: Meio e Saúde

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