De acordo com estimativas feitas pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil deve registrar, aproximadamente, 45 mil novos casos de câncer de intestino ao ano, no triênio compreendido entre 2023 e 2025. Chama a atenção que 70% estarão concentrados nas regiões Sudeste e Sul. Desses casos, cerca de 23.660 devem ser diagnosticados nas mulheres e 21.970 nos homens. De acordo com o oncologista Juliano Cé Coelho, a presença de sangue nas fezes ou alteração do hábito intestinal são sinais de alerta que devem ser investigados. “Eu tinha um tipo de padrão e foi para outro. A gente deve buscar atendimento com gastro ou proctologista. Ter constipação crônica não é fator de risco para câncer de intestino. Isso é bem importante. O que nos preocupa é aquela constipação que surgiu em alguém que não tem histórico”, comenta. Outras questões como dor pélvica constante e emagrecimento podem indicar a doença mais avançada.
Em relação à alimentação, Juliano mostra que existem alguns tipos que aumentam o risco de câncer de intestino. Ele aponta os embutidos, ultraprocessados e o excessivo consumo de carne vermelha como vilões. “A grande orientação que passo para os meus pacientes, para as pessoas que querem evitar ter algum tipo de câncer, é a alimentação saudável. O consumo de legumes, verduras, arroz, feijão, um pouco de carboidrato, proteína. Limitar a gordura ao máximo”, alerta.
Exame preventivo
A colonoscopia é um exame de rastreio fundamental que auxilia tanto no diagnóstico precoce como na detecção de lesões pré-malignas no intestino. Juliano fala que algumas dessas ainda não são cancerígenas, entretanto, se não forem tratadas, podem se transformar em câncer. O oncologista esclarece que se o resultado estiver dentro da normalidade, o exame será repetido entre cinco a dez anos. Contudo, se houver alterações, poderá ser necessário repeti-lo de forma mais precoce.

O médico diz que a idade recomendada para o início das colonoscopias, que antes acontecia aos 50 anos, agora começa com 45, na população que não tem sintomas. Porém, se há algum familiar de primeiro grau com a doença, o exame deve ser feito dez anos antes do diagnóstico dessa pessoa. “Por exemplo, meu pai teve câncer de intestino aos 50 anos, então devo começar aos 40. Estou com um paciente agora, internado, 35 anos. Aquela família precisa começar aos 25”, finaliza.
