Especialista diz que canabidiol (CBD) é um excelente ansiolítico, pois uma das causas da compulsão alimentar é a ansiedade
Dados da Organização Mundial de Saúde (OMS) apontam que 5% da população brasileira sofre de compulsão alimentar, quase o dobro da população mundial (2,6%). O distúrbio é caracterizado por uma ingestão exagerada de alimentos em curto intervalo de tempo, sem que haja fome ou necessidade física.
Pesquisa feita pela Universidade de Helsinque, na Finlândia, mostrou que o sistema endocanabinoide (SEC) é fundamental na regulação do apetite, influenciando diretamente comportamentos alimentares. Os testes feitos em ratos dentro da instituição revelaram que altos níveis de endocanabinoides são encontrados em indivíduos com compulsão alimentar, indicando um possível desequilíbrio do SEC. O tratamento com fitocanabinoides, como o CBD, pode auxiliar a ajustar essa produção, trazendo equilíbrio e influenciando positivamente o consumo de alimentos.
Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, quando falamos do papel do sistema endocabinoide na compulsão alimentar, a dieta ocidental apresenta uma proporção muito elevada de Ômega 6 em relação ao Ômega 3. O ideal seria 4 por 1, porém é encontrado mais que o dobro. Esse desbalanço pode levar ao excesso de anandamida (endocanabinoide) e superestimulação de receptores CB1, que despertam o apetite. Também pode estar fortemente ligado a fatores psicológicos, como transtornos de humor, ansiedade, baixa autoestima ou questões de imagem corporal.

O médico conta que alguns fitocanabinoides são extremamente eficazes para o controle deste transtorno. A tetrahidrocanabivarina (THCV), em baixas doses, é um antagonista do receptor CB1 e desta forma, inibe o apetite. “Além disso, tem o potencial de diminuir a glicemia, melhorar a sensibilidade à insulina e controlar a dislipidemia — colesterol alto”, destaca.
Conforme José Wilson, a combinação de CBD e THCV é uma excelente alternativa quando é preciso controlar o apetite. No entanto, ele lembra que a compulsão alimentar é um distúrbio cerebral com causas diversas e não deve ser encarada simplesmente como falta de disciplina ou força de vontade. O especialista reforça a importância de procurar ajuda profissional. “Tratamentos eficazes estão disponíveis e, além do uso de fitocanabinoides, pode-se incluir terapia cognitivo-comportamental, aconselhamento nutricional e atividades físicas”, explica.
