Especialista comenta que o alcoolismo é uma condição complexa e multifacetada, com variadas causas que podem incluir fatores genéticos, psicológicos, sociais e ambientais. É um problema de saúde pública significativo, com impactos substanciais tanto para o indivíduo quanto para a sociedade
Conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), não existem limites seguros para o consumo de álcool. O uso nocivo possibilita risco de desenvolvimento de problemas como distúrbios mentais e comportamentais, incluindo dependência, doenças graves como cirrose hepática, alguns tipos de cânceres e doenças cardiovasculares, além de lesões resultantes de violência e acidentes de trânsito. Em todo o mundo, três milhões de mortes por ano resultam do abuso do álcool. No ano passado, o Ministério da Saúde divulgou um novo relatório da Vigilância de Fatores de Risco e Proteção para Doenças Crônicas por Inquérito Telefônico (Vigitel). O estudo apontou crescimento do consumo abusivo de álcool quando comparado com os anos anteriores. A população geral teve elevação de 18,4% para 20,8% entre 2021 e 2023. Entre os homens, o aumento foi de 25% para 27,3% no período. Já as mulheres, os números subiram de 12,7% para 15,2%.
Cannabis Medicinal pode ajudar no tratamento
Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, o sistema endocanabinoide se correlaciona diretamente com os centros de recompensa no cérebro, ou seja, áreas do sistema nervoso que dão a sensação de prazer ao consumir, não apenas álcool, mas outras drogas.
Ele diz que a possibilidade de canabinoides modularem o sistema endocanabinoide, dopaminérgico e opioide justificam seu potencial no tratamento de adições. “O alcoolismo é frequentemente acompanhado por problemas no fígado. Vamos lembrar que os canabinoides também são metabolizados neste órgão. Com estes pacientes devemos ter cuidado redobrado ao iniciar a terapia, monitorando frequentemente sua função hepática”, alerta.
Ao falarmos em vícios, o médico reforça que é primordial ter cautela na utilização do THC, pois se trata de um fitocanabinoide que apresenta potencial de abuso e deve ser evitado. “Já o CBD não apresenta este problema. Seu efeito ansiolítico facilita a aderência do paciente ao abandonar o álcool. Além disso, modulando a atividade do receptor canabinoide tipo 1 (CB1), ele diminui a sensação de prazer no consumo”, explica.

De acordo com José Wilson, o tratamento do alcoolismo envolve abordagem multidisciplinar, incluindo a redução de danos e o apoio da Atenção Primária à Saúde. “É importante reconhecer e tratar não apenas a dependência física, mas também os fatores psicológicos e sociais que contribuem para o alcoolismo”, ressalta.
