Antidepressivos, antipsicóticos e estabilizadores de humor são prescritos por grande parte dos médicos no tratamento do transtorno. No entanto, esses alopáticos podem trazer efeitos colaterais, como cefaleia, falta de coordenação motora, alterações no sono e no nível de energia
Nascido na Hungria, mas radicado nos Estados Unidos desde os quatro anos de idade, o psicanalista Adolph Stern, em 1938, citou pela primeira vez no meio acadêmico o termo Borderline, que significa limítrofe ou fronteiriço traduzido do inglês. À época, foi utilizado para fazer menção aos pacientes que estavam no limiar entre a psicose e a neurose. A Associação Brasileira de Psiquiatria (ABP) estima que dois milhões de pessoas no Brasil sofrem com o transtorno de personalidade Borderline.
Mais comum em mulheres, o problema é caracterizado por um padrão generalizado de instabilidade e hipersensibilidade nos relacionamentos interpessoais, instabilidade na autoimagem, flutuações extremas de humor e impulsividade. A pessoa com a doença geralmente tem dificuldade em ficar sozinha, podendo recorrer a ações autodestrutivas para conseguir lidar que está só ou evitar que isso ocorra. Ela realiza esforços frenéticos para evitar o abandono, incluindo criar crises. A psicoterapia é a base do tratamento, englobando a terapia comportamental-dialética (TDC) e o sistema de treinamento para previsibilidade emocional e resolução de problemas (STEPPS).
Cannabis Medicinal no tratamento
Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, a expressão extensa dos receptores CB1 e CB2 do sistema endocanabinoide tem sido encontrada em regiões límbicas e no hipotálamo. O médico comenta que o sistema límbico tem a função psíquica de avaliar afetivamente as circunstâncias da vida, realizar a integração dos sistemas nervoso, endócrino, imunológico e organizar uma reação adequada. “Os hormônios também podem colaborar para reações emocionais, sendo que o hipotálamo, que faz parte do sistema límbico, está diretamente relacionado ao controle de secreção dos demais hormônios do nosso corpo”, aponta.

Ele diz que isso abre novas janelas de oportunidades para o tratamento com canabinoides, como o canabidiol (CBD), já que nenhum outro farmacológico mostrou melhora duradoura na população com o diagnóstico de Borderline até o momento. “Além disso, existe uma segurança terapêutica na terapia com canabinoides que não encontramos na medicação clássica”, finaliza.
