Especialista comenta que muitos estudos em andamento sugerem que o uso de canabinoides vai além de cuidados paliativos nos casos de câncer. Já foi identificada atividade antitumoral em diversos canabinoides, existindo um potencial de ação na doença em si e não apenas nos sintomas. É um caminho promissor
Segundo a Organização Mundial de Saúde (OMS), em conceito definido em 1990 e atualizado em 2002, Cuidados Paliativos consistem na assistência promovida por uma equipe multidisciplinar, que procura a melhoria da qualidade de vida do paciente e seus familiares, diante de uma doença que ameace a vida, por meio da prevenção e alívio do sofrimento, da identificação precoce, avaliação impecável e tratamento de dor e demais sintomas físicos, sociais, psicológicos e espirituais.

De acordo com José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, o uso de canabinóides em pacientes oncológicos, com finalidade paliativa, apresenta evidências clínicas muito robustas. Ele conta que o Cesamet, um canabinoide sintético análogo ao Delta 9 THC, foi aprovado nos Estados Unidos pelo FDA (Food And Drug Administration — para que o leitor compreenda, é equivalente à Agência de Vigilância Sanitária (Anvisa) no Brasil) em 1985, com indicação para controle de náusea e vômitos em pacientes com câncer.
“O uso de THC e análogos também apresenta efeito orexígeno, ou seja, estimulam o apetite dos pacientes, controlando a perda de peso, frequente nestes casos. O controle da dor oncológica, seja primária ou como efeito colateral de quimio e radioterapia, responde muito bem à associação de CBD com THC. É uma excelente opção como adjuvante ou substituto de opioides sem os efeitos adversos”, explica.
Efeitos benéficos e colaterais
Conforme o médico, a depressão e ansiedade são motivos de preocupação em qualquer patologia grave. Contudo, os efeitos ansiolíticos do canabidiol são muito eficazes. Além disso, a qualidade do sono também é positivamente afetada pelos canabinóides. “Um cuidado essencial a se tomar é verificar a interação medicamentosa entre os canabinoides e quimioterápicos em uso, já que a margem de efeito terapêutico da quimio é muito estreita, ou seja, uma atividade pouco acima da desejada pode ser tóxica, e abaixo, inefetiva”, alerta.
