Dados de 2019 da Organização Mundial da Saúde (OMS) mostraram que a doença acomete cerca de 140 milhões de pessoas no mundo e em torno de 2,5% da população brasileira. O diagnóstico é realizado, na maioria das vezes, em indivíduos na faixa dos 16 aos 25 anos, mas o problema pode se manifestar desde a infância até a terceira idade.
O transtorno bipolar é caracterizado por episódios de mania, hipomania e depressão, podendo se alternar, embora a maioria dos pacientes tenha predominância de um ou do outro. A causa exata é desconhecida, mas hereditariedade, mudanças nos níveis cerebrais de neurotransmissores e fatores psicossociais podem estar envolvidos. O tratamento clássico inclui estabilizadores do humor, antipsicóticos e psicoterapia.
A Cannabis Medicinal e o transtorno bipolar
Segundo José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, o potencial dos fitocanabinoides na modulação da neurotransmissão de serotonina, dopamina e noradrenalina já demonstraram eficácia no tratamento de depressão e ansiedade. “Observamos vários benefícios para pacientes com transtorno bipolar. Além dos dois fatores citados anteriormente, a qualidade do sono melhora de forma notável”, conta.
De acordo com o especialista, a medicação alopática clássica para transtorno bipolar apresenta vários efeitos colaterais e não é totalmente eficaz. Ele aponta que o uso dos canabinoides pode diminuir a dosagem necessária destes fármacos ou mesmo substituí-los por completo, com um perfil de segurança terapêutica maior e incidência de efeitos colaterais indesejados infinitamente menores.
Contraindicação e pesquisas
José Wilson comenta que a única contraindicação universal é a insuficiência hepática. “O THC deve ser evitado em pacientes com histórico de psicose e cardiopatias descompensadas. O CBD é praticamente isento de contraindicações. Gestantes e lactantes também devem evitar tratamento com canabinoides”, alerta.

O médico reforça que existem pouquíssimas pesquisas clínicas correlacionando o transtorno bipolar e o uso de canabinoides. Ele destaca que os estudos precisam avançar, contudo, os que estão disponíveis, afirmam que o potencial é positivo e a observação clínica de pacientes em tratamento é muito favorável.
