Especialista comenta que cochilos curtos, com menos de 30 minutos, podem trazer benefícios à saúde do coração, enquanto cochilos prolongados, que duram 60 minutos ou mais, estão relacionados a um aumento do risco cardiovascular
Segundo o cardiologista Bruno Gustavo Chagas (CRM-RO 4359 e RQE 1140), pesquisas sugerem que os cochilos breves não estão ligados a um aumento na probabilidade de doenças cardiovasculares ou mortalidade. No entanto, ele cita uma meta-análise do pesquisador Yamada, que encontrou uma relação em forma de J (ao iniciar um estudo, primeiro diminui o risco, conforme aumenta o tempo, eleva-se o risco das doenças) entre a duração do cochilo e o risco de doença cardiovascular, com um declínio inicial do risco para cochilos curtos (menos de 30 minutos) e um aumento acentuado do risco para cochilos longos (mais de 60 minutos).
Da mesma forma, o pesquisador Stang relatou que cochilos longos regulares (menos de 60 minutos) estavam associados a um risco aumentado para eventos cardíacos, independentemente da vasta gama de fatores de confusão ajustados no modelo. “Para um indivíduo que geralmente tende a cochilar um pouco durante o dia, não deve exceder 30 minutos. Estudos mostraram que os cochilos curtos não são muito adversos e podem até mesmo ser saudáveis para o coração e a saúde mental”, afirma.
Cochilos e a capacidade cognitiva
O médico ressalta que os cochilos podem melhorar as habilidades de pensamento, especialmente quando são curtos (menos de 30 minutos). O especialista lembra que pesquisas documentam os benefícios do cochilo curto para o funcionamento da mente, incluindo a memória, atenção e bem-estar emocional melhorados. “Uma meta-análise dos estudos de pesquisa publicados indicou que o cochilo curto suporta o desempenho mental, particularmente alerta e memória. Além disso, um estudo prospectivo de acompanhamento de 5 anos destacou que o cochilo de 1-29 minutos está associado a um menor risco de desordens de memória em idosos”, salienta.
Por outro lado, cochilos diurnos longos (igual ou superior a 60 minutos) estão associados a um risco aumentado de comprometimento cognitivo e doenças cardiovasculares. Bruno diz que, para obter benefícios cognitivos máximos e riscos mínimos, recomenda-se que os indivíduos tenham como objetivo limitar seus cochilos diurnos a menos de 30 minutos.

Hábitos nocivos
O médico ressalta que hábitos como tabagismo e inatividade física podem levar ou exacerbar condições como hipertensão, obesidade e acidente vascular cerebral (AVC), tendo efeitos negativos adicionais se a pessoa cochilar após o almoço. Como revela o especialista, estudos indicam que cochilos longos (iguais ou acima de 60 minutos) estão associados a um aumento do risco de doenças cardiovasculares, síndrome metabólica e mortalidade. O tabagismo, por sua vez, é um fator de risco bem estabelecido para doenças cardiovasculares e metabólicas, e pode mediar a associação entre cochilos longos e aumento do índice de massa corporal (IMC).
Além disso, a combinação de cochilos longos com hábitos de vida prejudiciais, como tabagismo e sedentarismo, pode potencializar os efeitos adversos. “Por exemplo, um estudo mostrou que o tabagismo mediou a associação entre cochilos longos e maior IMC em 12%. Outro estudo encontrou que cochilos longos (superior a 90 minutos) estavam associados a uma maior prevalência de síndrome metabólica, especialmente em mulheres e pessoas com maior duração de sono noturno”, finaliza.
