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    Home»Dor Crônica»Conheça mais sobre a dor crônica
    Dor Crônica

    Conheça mais sobre a dor crônica

    meioesaudeBy meioesaude7 de Fevereiro, 2024Updated:7 de Fevereiro, 2024Sem comentários9 Mins Read
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    Números da Sociedade Brasileira de Estudos da Dor (SBED) mostram que 37% da população brasileira relatam sentir dor crônica
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    O neurocirurgião Jamil Farhat Neto diz que é uma condição em que a dor persiste por um período prolongado, geralmente três a seis meses, sendo além do tempo normal de cicatrização do organismo. Diferentemente da dor aguda, que é uma resposta imediata a uma lesão ou doença, a dor crônica muitas vezes se torna uma condição em si mesma. É importante entender que a dor crônica pode resultar de uma variedade de causas, como lesões passadas, condições médicas subjacentes, inflamação persistente ou alterações nos nervos. Ela não apenas afeta a parte física, mas também pode ter um impacto significativo no bem-estar emocional e mental. “O tratamento da dor crônica envolve uma abordagem multifacetada, incluindo medicamentos, fisioterapia, terapias cognitivo-comportamentais e, em alguns casos, procedimentos intervencionistas. O objetivo é melhorar a qualidade de vida, reduzir a intensidade da dor e ajudar na gestão diária. É fundamental que você compartilhe detalhes sobre sua dor com seu médico para que juntos possam desenvolver um plano de tratamento personalizado para abordar suas necessidades específicas”, orienta.

     

    O médico comenta que há fundamento quando se faz a analogia da dor como “pandemia silenciosa”. Embora não seja uma doença infecciosa, a dor crônica afeta um número significativo de pessoas no mundo, o que muitas vezes passa despercebida. “A falta de visibilidade pode levar à minimização ou subestimação do impacto da dor na qualidade de vida. A dor crônica não é apenas uma experiência física. Ela também tem ramificações emocionais, sociais e econômicas. No entanto, é comum que as pessoas hesitem em compartilhar sua dor, e a sociedade, por vezes, não compreende a extensão do sofrimento”, ressalta. O neurocirurgião conta que aumentar a conscientização sobre a dor crônica, destacando sua prevalência e os desafios, pode ajudar a reduzir o estigma, promovendo a compreensão mais profunda e incentivando a busca por tratamento adequado. Ele lembra que a aceitação da dor, como uma questão de saúde significativa, é um passo decisivo para a implementação de medidas eficazes, como políticas de saúde pública, pesquisas e recursos destinados ao manejo adequado da dor crônica.

    Dr. Jamil Farhat Neto – Foto divulgação

    Jamil relata que a dor crônica afeta tanto homens quanto mulheres. Alguns estudos sugerem que existem diferenças nas prevalências de certas condições dolorosas entre os sexos. A enxaqueca, por exemplo, é mais comum em mulheres, enquanto distúrbios musculoesqueléticos podem afetar ambos os sexos de maneira mais equitativa. Quanto à idade, a dor crônica pode ocorrer em qualquer fase da vida, desde a infância até a velhice. Contudo, algumas condições, como dores articulares relacionadas ao envelhecimento ou certas formas de dor neuropática, podem ser mais prevalentes em idades mais avançadas. É importante notar que fatores como genética, estilo de vida, histórico médico e ambientais desempenham um papel significativo na predisposição à dor crônica, sendo difícil estabelecer uma única faixa etária ou gênero que sofra mais. “O manejo da dor crônica é altamente individualizado, e abordar essas questões requer uma compreensão abrangente dos fatores que contribuem para a dor em cada paciente. O foco deve ser em estratégias de tratamento personalizadas que considerem a complexidade única de cada caso”, explica.

     

    Qualidade de vida e dor crônica

    O neurocirurgião Jamil Farhat Neto fala que aceitar a dor e melhorar a qualidade de vida são objetivos importantes no tratamento. Ele lista algumas estratégias que podem ajudar o paciente.

    • Educação: Compreender a natureza da dor, suas causas e como afeta o corpo é o primeiro passo. Isso permite que você tome decisões informadas sobre o tratamento.
    • Abordagem Multidisciplinar: Trabalhar com uma equipe de profissionais de saúde, como médicos, fisioterapeutas, psicólogos e terapeutas ocupacionais, pode proporcionar mais abrangência ao tratamento da dor.
    • Medicação Adequada: O uso de medicamentos pode ser parte do plano de tratamento. Certificar-se de que os medicamentos são prescritos e administrados adequadamente para evitar efeitos colaterais indesejados.
    • Fisioterapia e exercícios: Atividades físicas adaptadas às suas capacidades podem fortalecer os músculos, melhorar a flexibilidade e reduzir a dor. A fisioterapia também pode ser útil para aprender técnicas de movimento seguro.
    • Terapia Cognitivo-Comportamental (TCC): Essa abordagem ajuda a modificar pensamentos e comportamentos negativos associados à dor, promovendo uma melhor gestão emocional.
    • Técnicas de relaxamento e Mindfulness: Práticas como ioga, meditação, respiração profunda, podem ajudar a reduzir o estresse e a ansiedade, contribuindo para o controle da dor.
    • Apoio Social: Compartilhar suas experiências com amigos, familiares ou grupos de apoio pode fornecer um suporte valioso.
    • Estabelecer metas realistas: Defina metas alcançáveis para evitar a frustração. Pequenos avanços ao longo do tempo podem levar a uma melhoria significativa na qualidade de vida.
    Foto divulgação

    Qualidade e higiene do sono

    Segundo Farhat, a qualidade do sono é fundamental para o bem-estar, especialmente para aqueles que lidam com dor crônica. O médico explana estratégias primordiais para a hora de dormir.

    • Rotina do sono: Tente manter horários para dormir e acordar, mesmo nos fins de semana. Isso ajuda a regular o relógio biológico e promover um padrão consistente de sono.
    • Ambiente confortável: Certifique-se de que seu ambiente de sono seja propício ao descanso. Isso inclui um colchão confortável, travesseiros de apoio e um ambiente escuro e tranquilo.
    • Evite estímulos antes de dormir: Reduza a exposição aos dispositivos eletrônicos, luz intensa e atividades estimulantes, pelo menos uma hora, antes de dormir. Isso ajuda o corpo a se preparar para o descanso.
    • Atividade física regular: De preferência, pratique durante o dia. A atividade física ajuda a promover o sono, mas evite exercícios intensos muito perto da hora de
    • Gestão da dor adequada: Trabalhe em conjunto com sua equipe de saúde para desenvolver estratégias eficazes de gerenciamento da dor. Isso pode incluir medicamentos, fisioterapia e técnicas de relaxamento.
    • Evite cafeína e nicotina à noite: essas substâncias podem interferir no
    • Estabeleça uma rotina relaxante: tomar banho quente, ler um livro ou praticar técnicas de relaxamento, como a respiração profunda.
    • Controle do estresse e da ansiedade: Desenvolva estratégias como a prática regular de técnicas de relaxamento, meditação ou mindfulness. Lembre-se que a consulta regular com profissionais de saúde é essencial para ajustar o plano de tratamento conforme necessário. A qualidade do sono desempenha um papel fundamental na gestão da dor crônica, e a higiene do sono é uma ferramenta valiosa para melhorar essa qualidade.

     

    Lesão e dor não são sinônimos

    O médico destaca que a lesão refere-se a danos ou alterações nos tecidos do corpo, como músculos, ossos, ligamentos e nervos. Pode ser causada por eventos traumáticos, como acidentes ou quedas, ou desenvolver-se ao longo do tempo devido ao desgaste natural ou condições médicas. Já a dor, por outro lado, é uma experiência subjetiva que resulta da ativação de receptores de dor no corpo. “Embora a lesão seja frequentemente acompanhada de dor, nem toda lesão provoca dor, e nem toda dor está relacionada a uma lesão óbvia. Em muitos casos, a dor é uma resposta complexa do sistema nervoso, envolvendo fatores físicos, emocionais e até mesmo genéticos. Pode persistir mesmo após a cicatrização da lesão original, tornando-se crônica”, alerta. Entender a distinção entre lesão e dor é imprescindível para oferecer tratamentos abrangentes e personalizados, visando não apenas a cura física, mas, também, o alívio eficaz para melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

    Foto divulgação

    A relação da alimentação com a dor crônica

    Conforme Jamil Farhat Neto, o que comemos desempenha um papel fundamental na saúde geral do corpo, incluindo a gestão da dor. O médico pontua tópicos que ajudam no entendimento dessa questão.

    • Inflamação: Certos alimentos podem desencadear ou reduzir a inflamação crônica no corpo, associada a muitas condições dolorosas. Alimentos ricos em antioxidantes, como frutas e vegetais, podem ajudar a mitigar a inflamação.
    • Peso corporal: O excesso coloca uma carga adicional nas articulações e na coluna vertebral, contribuindo para a dor crônica. Manter o peso saudável por meio de uma dieta equilibrada é crucial para reduzir esse impacto.
    • Nutrientes: Desempenham um papel vital na saúde dos nervos, músculos e Deficiências nutricionais podem contribuir para a dor crônica. Uma dieta equilibrada garante a ingestão adequada desses nutrientes.
    • Hidratação: A desidratação pode intensificar a sensação de dor. Manter-se bem hidratado é essencial para a saúde geral e pode ajudar na gestão da dor.
    • Cafeína e álcool: O consumo moderado de cafeína pode ter efeitos analgésicos, enquanto o álcool, em excesso, pode aumentar a sensibilidade à dor. O equilíbrio é
    • Intolerâncias alimentares: Algumas pessoas relatam alívio da dor ao identificar e evitar alimentos aos quais são intolerantes. Consultar um nutricionista ou profissional de saúde para orientação personalizada é sempre uma decisão sábia.

     

    Emoção que dói no corpo

    “Sim, a emoção pode se manifestar no corpo de várias maneiras, incluindo a percepção de dor. Essa conexão entre emoções e dor é uma área fascinante da medicina. Quando experimentamos emoções como estresse, ansiedade ou tristeza, nosso corpo libera substâncias químicas que podem afetar a sensibilidade à dor. Por exemplo, o estresse crônico pode aumentar a inflamação no corpo, contribuindo para a intensificação da dor. Além disso, emoções negativas podem levar a tensões musculares e posturas que, ao longo do tempo, podem resultar em desconforto físico. É uma espécie de ciclo em que a dor pode afetar nossas emoções, e as emoções podem influenciar nossa percepção da dor”, argumenta. O médico reconhece a importância de tratar não apenas os aspectos físicos, mas as dimensões emocionais da dor. Para ele, uma abordagem personalizada, considerando tanto o corpo quanto a mente, pode ser fundamental para proporcionar alívio eficaz e melhorar a qualidade de vida dos pacientes. Jamil acrescenta que a compreensão da interação entre emoções e dor é crucial na prática médica moderna.

     

    Existe vida além da dor

    De acordo com o neurocirurgião, não é incomum para as pessoas que lidam com a dor se perguntarem sobre a vida além dela. A dor pode ser uma experiência complexa e desafiadora, mas muitas vezes existem várias abordagens para controlá-la e aliviá-la. “Procurar aconselhamento médico profissional, explorar diferentes tratamentos e manter um estilo de vida saudável pode contribuir significativamente para melhorar a sua qualidade de vida. É importante trabalhar em colaboração com a sua equipe de saúde para abordar as causas profundas da dor e desenvolver um plano personalizado de alívio”, finaliza.

    meioesaude
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