Especialista diz que o ouvido parece ser um sensor fino da saúde de vários órgãos, por isso a investigação precisa ser completa e minuciosa
A otorrinolaringologista Tanit Sanchez (CRM-SP 69.992), médica e docente da Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo (USP), conta que há 30 anos, quando começou a atender pacientes com zumbido sem saber muito sobre o tema, dificilmente eram encontrados professores que tivessem a segurança para ensiná-la acerca desse assunto porque à época reinavam ideias como “zumbido não tem cura”, “não há nada que possa ser feito” e “você precisa se acostumar com isso”. No entanto, em mais de três décadas de estudos, ela pontua que as pesquisas descobriram várias questões importantes, como:
- Zumbido é sintoma, e não doença, tendo várias causas (é o mesmo pensamento da febre e da dor de cabeça).
- Algumas dessas causas envolvem o ouvido e toda a via auditiva, mas várias outras são de fora do ouvido: erros alimentares, problemas hormonais, odontológicos, cervicais, neurológicos, circulatórios e emocionais.
- Nem todos os pacientes com zumbido precisam de algum tratamento, mas todos deveriam ser investigados. Os casos com zumbido baixo e sem repercussão na qualidade de vida causados por “acidentes” do passado (trauma acústico com sons altos, uso tóxico de medicamentos que já foram retirados da rotina do paciente) podem apenas ser monitorados a cada seis ou 12 meses.
- Há várias formas de amenizar parcialmente o zumbido, mas a escolha deve ser personalizada conforme as causas encontradas em cada paciente: medicação, mudança de hábito alimentar, correção da perda auditiva por meio de aparelhos auditivos, terapia sonora, terapia cognitivo-comportamental, meditação.
Estudos têm aumentado
A otorrinolaringologista lembra que o número de pesquisas nacionais e internacionais sobre zumbido cresceram progressivamente nos últimos anos, já que em paralelo à ciência, muitas frentes de informação e apoio a pacientes têm sido criadas. “Quando olho para trás, penso: nada mal para quem aprendeu que não havia nada a ser feito por esses pacientes. Gosto de acreditar que um dia chegaremos ao controle total do zumbido, por isso tento seguir as etapas necessárias para convencer as pessoas com lógica. Nossa pesquisa, publicada internacionalmente em 2021, já conseguiu reunir uma coletânea com os 80 primeiros depoimentos de pacientes que se consideraram curados do zumbido por diferentes meios e com diferentes profissionais, não apenas comigo. Apesar de ainda termos muito o que entender sobre a cura do zumbido (como ocorre, em quem ocorre, quando ocorre), já sabemos que ela, de fato, pode ocorrer para algumas pessoas”, destaca.
Segundo a médica, recentemente foram feitas algumas pesquisas sobre a laserterapia, que oferece uma abordagem não invasiva e sem efeitos colaterais importantes, embora alguns pacientes não tenham referido melhora. Tanit explica que a laserterapia de baixa intensidade (LLLT – Low-Level Laser Therapy) estimula a produção de energia (ATP) nas mitocôndrias das células, aumentando o metabolismo celular; melhora a circulação, a inflamação local e a atividade neural. Assim, ela pode promover benefícios potenciais, como reduzir o zumbido e o estresse ou dor associados a ele.

A especialista também pondera que a eficácia pode variar entre indivíduos; pode haver melhor resultado com o laser combinado a outras abordagens terapêuticas do que ao laser isolado; nem todos os tipos de zumbido respondem igualmente ao tratamento; mas ainda são necessários estudos de acompanhamento a médio e longo prazo.
