De acordo com números divulgados pelo Ministério da Saúde, o Brasil teve, em 2022, 24.036 casos somados de hepatites A, B e C. A maior prevalência ficou no tipo C da doença, com pouco mais de 14 mil registros. Conforme a infectologista Flávia Cohen, a hepatite é uma inflamação do fígado podendo ser provocada por diferentes agentes, incluindo vírus, toxinas, álcool e algumas doenças autoimunes, sendo causadas por vírus hepatotrópicos, designados pelas letras A, B, C, D e E. A maioria tem cura. A recuperação plena é possível a partir de cuidados precoces.
A hepatite do tipo A é transmitida principalmente por água ou alimentos contaminados. É uma forma aguda da doença e não leva à infecção crônica. A vacinação é eficaz e está disponível. Já a hepatite B é transmitida pelo contato com sangue, fluídos corporais ou por meio de relações sexuais desprotegidas com uma pessoa infectada, podendo levar à infecção aguda ou crônica, com risco de complicações hepáticas graves. A vacina é amplamente utilizada para prevenção. A hepatite C é transmitida pelo contato com sangue contaminado, compartilhamento de agulhas ou equipamentos médicos não esterilizados. Ela pode se tornar crônica e, ao longo do tempo, levar à cirrose hepática e câncer de fígado. Não há vacina específica para esse tipo, mas existem tratamentos antivirais eficazes. A hepatite D é a forma em que ocorre apenas nas pessoas já infectadas com o vírus da hepatite B.
A infecção simultânea com os vírus B e D pode aumentar significativamente o risco de complicações hepáticas. Já a hepatite E é transmitida por água ou alimentos contaminados, com semelhança à hepatite A, em sua forma aguda, contudo, pode ser mais grave em mulheres grávidas. Não há vacina específica. A prevenção se concentra em medidas de saneamento e higiene.

“Os sintomas comuns da hepatite incluem fadiga, icterícia (coloração amarela da pele e olhos), dor abdominal, náuseas, vômitos e febre. No entanto, alguns tipos de hepatite, especialmente nas fases iniciais, podem ser assintomáticos. Dependendo do tipo da hepatite, o tratamento pode variar desde sintomáticos e repouso até medicamentos antivirais específicos”, explica a médica. Segundo Flávia, a forma mais grave da doença, sem a vacina, é a hepatite C. “É a mais severa entre os vírus, com 80% de chance de se tornar crônica após ser contraída”, comenta.
Quando se fala em profilaxias, a infectologista diz que a vacinação é a forma mais eficaz de prevenção, além da relação sexual com preservativo, uso de proteção adequada no ambiente hospitalar e indicação de imunoglobulina quando o profissional de saúde sofre algum tipo de acidente com material biológico.
