Até o momento, especialista comenta que não existe um número de pesquisas em relação ao uso medicinal de Cannabis por lactantes que possa fornecer margem de segurança para a prescrição
De acordo com José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, existem pouquíssimos estudos clínicos correlacionando o uso da Cannabis Medicinal e lactantes. O médico conta que faltam informações como a Cannabis e seus subprodutos, que são secretados no leite materno, podem afetar o lactente, pois a maioria deles é realizado em relação ao uso adulto/recreativo. “O que sabemos, com certeza, é que o sistema endocanabinoide da criança lactente ainda é imaturo e o impacto da exposição aos fitocanabinoides nessa idade é incerto”, esclarece.
Muitas mães, de repente, podem fazer o uso da Cannabis Medicinal devido à depressão pós-parto e estresse. No entanto, como informa José Wilson, o consenso atual, segundo é contraindicado o uso de canabinoides por gestantes e lactantes, é a via de regra. “Elas devem ser encorajadas a interromper o uso de Cannabis para fins medicinais por terapias para as quais haja melhores dados de segurança específicos. Estudos de alta qualidade sobre os efeitos dos fitocanabinoides na gravidez e lactação são necessários”, ressalta.
O médico aponta que o THC, CBD e seus metabólitos ativos apresentam níveis detectáveis no leite materno por mais de 12 horas após o uso. Logo, na utilização medicinal diária, não existe janela de segurança para a amamentação livre da exposição de canabinoides para a criança.

José Wilson destaca que alguns estudos demonstraram menor concentração de IgA no leite de lactantes em uso de canabinoides. O especialista explica que IgA é uma imunoglobulina essencial presente no intestino de bebês alimentados com leite materno, impedindo a invasão, aderência de vírus e bactérias na mucosa intestinal, neutralizando toxinas e fatores de virulência.
