No entanto, como enfatiza o especialista, as pessoas não podem esquecer que cuidados nutricionais, com uma dieta balanceada e a prática regular de atividade física, também são essenciais para um envelhecimento saudável do cérebro
O médico José Wilson Andrade, vice-presidente da Associação Pan-Americana de Medicina Canabinoide, começa a nossa entrevista citando a famosa lenda de que “cannabis mata neurônios”. Ele explica que essa ideia do dano cerebral foi amplamente difundida à época em que teve início o programa de guerra às drogas, durante o governo do presidente Nixon, nos Estados Unidos.
Segundo o especialista, um estudo realizado na Universidade de Tulane, publicado em 1974, consistia em forçar a inalação constante de cannabis por 30 macacos. Em alguns meses, os animais morreram e, na autópsia, constatou-se redução do volume cerebral. “Porém, na verdade, a causa mortis foi a intoxicação por monóxido de carbono. Hoje, sabemos que vários fitocanabinoides têm, na verdade, efeito neuroprotetor e neurogênico”, aponta.
Conforme José Wilson, todas as doenças neurodegenerativas têm como parte de sua fisiopatologia uma inflamação crônica que culmina com morte neuronal. O médico esclarece que tanto o CBD como o THC podem modular a resposta inflamatória positivamente. Ele cita um estudo recente que avaliou o efeito de uso crônico de delta 9 THC em ratos. O médico conta que foi observada a expressão de um gene conhecido como mTOR, responsável pela modulação intracelular do metabolismo. No cérebro, sua atividade foi aumentada e como resultado, uma melhora no metabolismo energético e efeitos pró-sinápticos. Resumindo, melhor cognição.
De acordo com José Wilson, no tecido adiposo periférico observou-se o inverso: uma menor sinalização de mTOR, diminuindo os níveis circulantes de carboidratos e aminoácidos, que mimetiza os efeitos de uma dieta de baixa caloria e retarda o envelhecimento. O médico lembra que os mesmos pesquisadores já haviam observado em 2017 que baixas doses de THC melhoram a cognição em ratos idosos.

Como pontua o especialista, esta ação dual do THC bem como o conhecido potencial anti-inflamatório do CBD no cérebro humano, pode ser a base para uma medicação antienvelhecimento e pró-cognitiva eficaz para a população idosa.
