Devido ao nível de agressão na pele provocado pelo fenol profundo, somente o médico está autorizado a fazer o procedimento
O médico Luciano Machado (CRM-TO 2081) esclarece que o peeling de fenol se trata de uma cirurgia cosmética, feita no centro cirúrgico, por um profissional especializado, com sedação monitorada pelo anestesista. “Passamos um ácido que vai provocar a queimadura química na pele do paciente, com o intuito de estimular um procedimento de dermoabrasão, ou seja, vai causar uma resposta no organismo da pessoa em que a pele vai descamar bastante e remover várias camadas que estão manchadas, com marcas de cicatrizes, acne ou linhas de expressão renovando essa pele”, explica.
Segundo o especialista, o procedimento é indicado para todo e qualquer paciente que apresenta um nível de fotoenvelhecimento da pele avançado, com linhas de expressão, manchas ou cicatrizes que já não respondem a outros tratamentos mais leves, menos agressivos e abrasivos. Ele lembra que o peeling de fenol é comum em pacientes mais velhos, que possuem a pele desgastada com o tempo, embora pessoas mais jovens possam fazer, conforme o critério de indicação. “Cardiopatas, portadores de doenças autoimunes, como vitiligo, lúpus, que podem causar algum distúrbio de cicatrização na recuperação da pele, são pacientes que não devem realizar”, aponta.
Luciano comenta que o procedimento traz a vantagem de atuar nas camadas mais profundas da pele, com o resultado que nenhum outro aparelho de tecnologia é capaz de entregar. É um tratamento expressivo e de longa durabilidade, em que a pele nunca mais volta como antes, em termos de linha de expressão e envelhecimento. No entanto, uma desvantagem é o processo que a pessoa sofre para passar o fenol, já que é agressivo, queima a pele, há um processo de inchaço e o paciente vai ficar dez dias com uma crosta de pele morta. “É um procedimento muito restritivo. O paciente não pode sair de casa durante doze dias. A alimentação é feita por canudinho (dieta líquida e pastosa), já que a pessoa não pode mobilizar a face, não pode mastigar, escovar os dentes, lavar o rosto e o banho é somente do pescoço para baixo”, pontua.
Riscos
De acordo com o médico, o peeling de fenol é um agente potencial cardiotóxico, se manipulado e confeccionado em concentrações improprias aplicado de uma forma inadvertida e indevida. O especialista salienta que, para atingir uma dose tóxica, ela precisa ser aplicada na quantidade muito acima do que é recomendado por peso e tamanho daquele paciente. Entretanto, o fenol, apesar do risco cardiotóxico, é um produto seguro se for aplicado na concentração correta para não correr o risco de lesar e manchar a pele. “São receitados antibióticos para o paciente evitar risco de infecção, pois a pele fica muito exposta e sensível nos primeiros dias. Pedimos ao paciente que possui bichos de estimação para não ter contato com a saliva do animal, evitando, assim, a infecção da pele”, ressalta.
Pós-procedimento
Luciano observa que a dor não é característica do fenol. A pele vai se manifestar como se fosse uma máscara seca, ficando com o tom marrom. Ela vai endurecer e, aos poucos, vai se soltar da pele nova que se forma embaixo da pele que está sendo removida. Enquanto a pele entra no processo de ser liberada do rosto (entre 10 e 12 dias), a pessoa não pode gesticular muito a face, que fica um pouco inchada.

O especialista destaca que o paciente vai ao consultório, o médico faz a liberação dessa casca seca de pele, dando lugar a uma novinha, rosada, igual à de um bebê, sem manchas e linhas de expressão. Contudo, a pele está exposta, fina, sem proteção, sendo preciso protegê-la, utilizando a mistura de Hipoglós com óleo por 30 dias. Durante três meses, a pessoa não deve se expor ao sol. Após este período, os cuidados com a pele começam a retornar à normalidade. O paciente é liberado paulatinamente a tomar sol e a usar cosméticos.
