Durante o hiperfoco, a pessoa pode perder a noção do tempo e ignorar estímulos externos
A neuropediatra Estéfani Ortiz conta que o hiperfoco é um estado de concentração intensa e sustentada em uma única atividade ou assunto por um período prolongado. Ela diz que o problema é frequentemente associado às pessoas com Transtorno do Espectro Autista (TEA) e Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH), mas também pode ocorrer em indivíduos sem esses diagnósticos.
Diagnóstico
A médica comenta que o hiperfoco não é um diagnóstico clínico, entretanto é frequentemente identificado como uma característica de outras condições, como o TEA e o TDAH. “O diagnóstico dessas condições é geralmente realizado por um profissional de saúde mental, como um neurologista ou psiquiatra, que avalia a história clínica, realiza entrevistas e utiliza questionários padronizados para identificar sintomas. A observação de comportamentos e relatos de familiares também é crucial”, aponta.
Impactos do hiperfoco ao longo da vida
Segundo a neuropediatra, os impactos do hiperfoco podem variar. Alguns efeitos positivos incluem alta produtividade, onde as pessoas podem realizar tarefas com grande eficiência e qualidade, e o desenvolvimento de habilidades, tornando-se especialistas em um determinado campo de interesse. No entanto, também há aspectos negativos, como a negligência de outras áreas da vida, em que as atividades diárias, responsabilidades sociais e autocuidado podem ser deixados de lado.

Além disso, a especialista ressalta que períodos prolongados de concentração intensa podem levar ao estresse e exaustão física e mental. “O hiperfoco pode causar problemas de relacionamento, dificultando as interações sociais e familiares devido à falta de atenção a outras pessoas”, observa.
Atenção aos sinais
Estéfani lembra que os pais podem ficar atentos aos seguintes sinais em seus filhos, como o interesse extremo por um único tema, onde a criança passa a maioria do tempo falando ou pensando sobre um assunto específico; dificuldade em transitar entre atividades, mostrando relutância ou incapacidade de mudar de tarefa mesmo quando necessário; desconsideração de estímulos externos, como não responder quando chamada ou parecer não perceber o que acontece ao seu redor; e negligência de outras áreas, deixando de realizar tarefas escolares, sociais ou de autocuidado devido ao envolvimento excessivo em uma atividade.
Orientações para trabalhar o hiperfoco
Conforme a médica, para trabalhar o hiperfoco de maneira saudável, as seguintes estratégias podem ser úteis: estabelecer rotinas, criando um cronograma que inclua períodos para o interesse especial, além de outras atividades essenciais; definir limites de tempo, usando temporizadores para ajudar a pessoa a mudar de atividade após um período definido; incentivar a variedade de interesses, expondo a criança a uma ampla gama de atividades e tópicos para evitar o foco excessivo em um único tema; promover pausas e autocuidado, garantindo que haja tempo para descanso e autocuidado, evitando a exaustão; e envolver profissionais, como psicólogos, para desenvolver estratégias personalizadas. “Essas abordagens podem ajudar a equilibrar os benefícios do hiperfoco com as necessidades diárias e o bem-estar geral”, finaliza.
