Entenda os perigos e como lidar com a questão
A neuropediatra Estéfani Ortiz (CRM-RS 40.870 e RQE 40.131) esclarece que a definição de masking ou mascaramento, no Transtorno do Espectro Autista (TEA), é o processo pelo qual uma pessoa autista tenta esconder ou suprimir seus comportamentos autísticos, adaptando-se às normas sociais esperadas. Isso pode incluir imitar comportamentos neurotípicos para se encaixar socialmente e evitar julgamentos ou desconfortos alheios. “As pessoas autistas recorrem ao masking para evitar discriminação, rejeição ou bullying, e para serem aceitas em ambientes sociais e profissionais. Elas podem sentir pressão para “se encaixar” e, como resultado, escondem seus comportamentos naturais, como estereotipias, hiperfoco ou dificuldades de comunicação”, afirma.
Segundo a especialista, o mascaramento constante pode levar ao estresse emocional significativo, esgotamento (autistic burnout), ansiedade, depressão e até ao aumento nas dificuldades de autocompreensão e aceitação. Pode também levar à perda de identidade, já que a pessoa pode se sentir desconectada de quem realmente é.

A médica também reforça que o mascaramento está por trás de diagnósticos tardios, principalmente em mulheres e meninas, que costumam ser mais habilidosas em camuflar os traços de autismo. Ela lembra que isso pode dificultar a percepção de profissionais de saúde e familiares.
Atitudes comuns
Suprimir estereotipias (movimentos repetitivos, como balançar as mãos); imitar expressões faciais e tom de voz neurotípicos; forçar contato visual; responder de forma social “apropriada”, mesmo que isso seja desconfortável; copiar comportamentos sociais de outras pessoas para parecer “normal”.
Sinais
De acordo com a especialista, a pessoa parece exausta após interações sociais, mudando completamente o comportamento em diferentes ambientes (por exemplo, se é mais “tímida” ou contida em público, porém expressa mais traços autísticos em casa). Além disso, Estéfani aponta que pode ocorrer perfeccionismo extremo, medo de cometer erros em interações sociais e o indivíduo sentir que está atuando ou sendo falso ao interagir socialmente.
