Médica diz que a deficiência do nutriente pode provocar raquitismo nas crianças; em adultos pode resultar em osteomalácia (enfraquece os ossos) e osteoporose (aumenta o risco de fraturas)
A endocrinologista Amanda Ximenes (CRM-CE 15886 e RQE 10.800) lembra que a falta de vitamina D pode comprometer o sistema imunológico e estar associada ao risco de doenças autoimunes. Ela comenta que estudos epidemiológicos também sugerem que a deficiência de vitamina D pode estar ligada a um risco aumentado de alguns tipos de câncer e infecções. “A vitamina D, na verdade, funciona como um hormônio no organismo. Ela é essencial para a absorção eficiente de cálcio no intestino, o que é primordial para a saúde óssea”, aponta.
De acordo com a médica, além de manter os níveis adequados de cálcio e fosfato no sangue, prevenindo doenças ósseas, a vitamina D desempenha um papel importante no sistema imunológico, ajudando a proteger contra infecções e doenças crônicas. Há também evidências de que a vitamina D pode melhorar a função muscular.
Valores ideais
Segundo a endocrinologista, os valores ideais de vitamina D no sangue para a maioria das pessoas situam-se entre 30 ng/mL e 60 ng/mL. Grupos que podem estar em risco de níveis baixos de vitamina D incluem indivíduos institucionalizados ou hospitalizados, pessoas com hiperparatireoidismo primário, obesidade, pessoas que passaram por cirurgia bariátrica, usuários de medicamentos como anticonvulsivantes e glicocorticoides, e pacientes com doenças que comprometem a absorção de nutrientes. “Esses valores podem variar conforme fatores individuais e condições de saúde. É importante que os níveis de vitamina D sejam monitorados por um profissional de saúde, que poderá determinar a necessidade de suplementação”, pontua.
Suplementação
A médica ressalta que a suplementação de vitamina D deve ser feita com cautela e sempre sob orientação médica. Ela explica que o excesso de vitamina D pode levar à hipervitaminose D, uma condição perigosa que pode causar acúmulo excessivo de cálcio no sangue (hipercalcemia), podendo resultar em cálculos renais, náuseas, vômitos, fraqueza e, em casos graves, danos aos rins e ao coração.

Amanda observa que não é necessário realizar a triagem para vitamina D na população em geral, e nem todos precisam ou devem suplementar. “A suplementação é geralmente indicada para pessoas com deficiência confirmada ou para grupos específicos, como idosos, indivíduos com pouca exposição solar, gestantes e aqueles com certas condições de saúde. A dose correta deve sempre ser determinada por um médico”, esclarece.
Dificuldades para obter vitamina D
Para a endocrinologista, diversos fatores têm contribuído para a diminuição da obtenção natural de vitamina D. A especialista cita que o estilo de vida moderno faz com que muitas pessoas fiquem grande parte do dia em ambientes fechados. Ademais, o uso frequente de protetor solar, fundamental para a proteção contra o câncer de pele, reduz a produção de vitamina D. “A poluição do ar e o envelhecimento, que diminui a capacidade da pele de produzir vitamina D, também são fatores que podem dificultar a obtenção adequada desta vitamina”, finaliza.
