Doença (seja a hérnia cervical ou lombar) lidera o ranking como causa de afastamento temporário do trabalho
Segundo a Organização Mundial da Saúde (OMS), oito em cada dez pessoas no mundo sofrem de hérnia de disco. Dados do Ministério da Previdência Social mostraram que a hérnia de disco e a dor lombar foram as doenças que mais geraram benefícios por incapacidade temporária no ano passado — o benefício é concedido pelo Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) quando o trabalhador precisa ficar licenciado do serviço por mais de 15 dias por motivo de saúde. A hérnia de disco afetou mais de 51 mil trabalhadores em 2023.
De acordo com o neurocirurgião Rodolfo Carneiro, a hérnia de disco cervical tem o diagnóstico feito com base nos sintomas do paciente. A ressonância magnética é solicitada para confirmar ou não a doença. O médico diz que existem três grupos de sintomas. O primeiro é a cervicobraquialgia. Trata-se de uma dor irradiada para o braço e pode provocar formigamento, dormência e anestesia na região do nervo que vai para o braço. O segundo é a dor cervical, um processo degenerativo e inflamatório. O terceiro ponto são as pessoas que têm compressão da medula, entretanto, não possuem os nervos comprimidos. Isso pode não acarretar dor, mas, sim, dormência e formigamento. “A medula controla todo o movimento dos músculos que estão abaixo daquela região. Se o paciente tem uma hérnia de disco no meio da coluna cervical, ele pode ter dormência nas mãos, fraqueza nas mãos e nos pés, sem necessariamente sentir dor. Os reflexos vão estar diferentes, alterados. A gente consegue perceber no exame clínico”, pontua.
Causas
O médico explica que uma das causas mais comuns é o processo degenerativo natural do envelhecimento da coluna, pois o disco se desgasta e tem ruptura da parte externa. A parte interna se desloca comprimindo posteriormente a medula ou o nervo na sua saída.
Como aponta Rodolfo, acidentes automobilísticos, quedas e até mesmo o ato de bater a cabeça, pode ocasionar a hérnia de disco traumática e comprimir a medula. Além disso, fazer exercícios de alta carga e com impacto de forma abrupta, também podem desenvolver o problema. “Às vezes, o paciente já tinha um processo degenerativo. No momento daquele peso ou esporte de alto impacto, algum trauma momentâneo ou pressão mais intensa, ele desenvolve a hérnia de disco cervical”, comenta.
Tratamento
Rodolfo conta que a maioria dos pacientes não vai necessitar de cirurgia. O tratamento conservador é o mais recomendado, como anti-inflamatórios, analgésicos que diminuem a sensibilidade dos nervos, o processo inflamatório e a dor, além da acupuntura para alívio das dores, reabilitação física com fisioterapia para mobilizar e melhorar a postura.
No entanto, o médico salienta que se o paciente não tem melhora com esses tratamentos, pode-se fazer a colocação de medicamento próximo da coluna — bloqueios e infiltrações — para diminuir o processo inflamatório.
Cirurgia
Conforme o neurocirurgião, a hérnia de disco é considerada cirúrgica quando o paciente tem impacto negativo na qualidade de vida (fraqueza, formigamento, não consegue dormir e trabalhar por conta desses sintomas) e não melhora por um período de aproximadamente seis semanas, mesmo fazendo algum tipo de terapia, fisioterapia ou medicamentos.
Os procedimentos podem ser simples, como bloqueios e infiltrações (não tem incisão, corte, e o paciente segue a rotina normal no dia seguinte); endoscopia para os casos em que comprimem a saída do nervo (recuperação breve e alta no dia seguinte. Alguns pacientes podem ter leve desconforto na região operada e outros não sentem nada); na artrodese é preciso remover todo o disco que comprime a medula ou comprime a medula com o nervo. A artroplastia é indicada para pacientes mais jovens com processo de desgaste do disco, mas que o restante da coluna esteja bom e não tenha uma artrose nas articulações da parte posterior da coluna.

Na via anterior, a recuperação é rápida. O médico relata que a cirurgia não é dolorosa e pode ser considerada minimamente invasiva, já que a musculatura não é cortada. “O único músculo que a gente acaba passando por ele é o platisma — superficial e fica abaixo da pele. Os outros músculos são apenas afastados”, ressalta.
Rodolfo reforça que os indivíduos podem ter algum tipo de dificuldade no pós- operatório, como problema de deglutição — a traqueia e o esôfago são afastados. “O paciente pode ter alguma alteração na voz (ficar mais rouco). São complicações que podem ocorrer. Geralmente, esses sintomas melhoram com o passar dos dias”, conclui.
